Carta do ministro do TCU sobre gasoduto Coari-Manaus

Conheçam a carta do Ministro Augusto Nardes do Tribunal de Contas da União (TCU), de 17 de setembro de 2008, sobre o gasoduto Coari-Manaus:

Parecer Ministro do TCU - Gasoduto Coari Manaus

Senhor Presidente,
Senhores Ministros,
Senhores Ministros‐Substitutos,
Senhor Procurador‐Geral em exercício,

Comunico ao Plenário que, com autorização do Presidente Walton Alencar Rodrigues, realizei visita de inspeção na obra de instalação do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, realizada pela Petrobras.

Esse gasoduto constitui uma importante alternativa para o suprimento de energia elétrica ao atual sistema isolado de Manaus. O gás natural apresenta-se como uma fonte economicamente competitiva e ambientalmente sustentável, de modo que a sua adoção no Sistema Energético de Manaus substituirá, com vantagem, as atuais gerações a óleo diesel e a óleo combustível. Por ser mais barato que os derivados líquidos de petróleo (óleo diesel ou combustível), espera-se uma redução significativa nos subsídios governamentais à Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis – CCC que, em 2006, teve um custo estimado em R$ 4,6 bilhões, arcado pela sociedade brasileira por meio de encargo tarifário. Segundo a Petrobras, a economia ultrapassará R$ 1 bilhão por ano. Vale acrescentar que o valor total estimado para a obra, que inicialmente era de 2,4 bilhões de reais, passou para 3 bilhões de reais, devido a problemas enfrentados no decorrer do empreendimento.

É de impressionar a qualquer cidadão brasileiro a grandiosidade do empreendimento realizado pela Petrobras. O gasoduto Urucu-Cori-Manaus rasga 661 km de floresta, a fim de levar energia à cidade de Manaus/AM e a diversos povoados do Estado. Atualmente, mais de sete mil pessoas, que vêm de todos os cantos deste grande Brasil, trabalham nesse empreendimento. Isso faz da obra uma grande Babel brasileira. Devo registrar que esses trabalhadores, na busca de um futuro melhor para si, necessitam vencer a hiléia amazônica. A batalha é árdua, uma vez que a floresta apresenta muitas adversidades. Além da grande umidade e do forte calor, o trabalhador está sujeito a mais de 40 doenças tropicais, entre elas a malária, a leishmaniose e a doença de Chagas.


Ademais, tudo na Amazônia é difícil e grandioso. A precariedade dos meios de transporte na região faz com que pequenas distâncias somente sejam vencidas em longas jornadas a bordo dos rios amazônicos. Os meios de comunicação são por demasiado precários, o que deixa os trabalhadores praticamente isolados dos fatos ocorridos além das fronteiras da selva. Dessa forma, para se trabalhar em empreendimento como este, não basta apenas a vontade de conseguir o ganha-pão; é necessário, sobremodo, possuir um grande espírito de aventura e ter em mente que cada gota de suor está trazendo grande desenvolvimento para o nosso país.

Sem fazer qualquer juízo de valor acerca da legalidade dos contratos firmados pela Petrobras, tampouco pela adequabilidade dos preços praticados na obra, não poderia deixar de louvar o trabalho desenvolvido por essa empresa petrolífera. Nesses dois dias de contatos com os técnicos da Petrobras, percebi que cada um deles se preocupa com o desenvolvimento da Companhia e, por conseguinte, com o do Brasil. As tarefas realizadas por esses anônimos trabalhadores são, sem dúvidas, dignas de admiração e apreço. Como exemplo desse profissionalismo, cito a rápida passagem que, por acaso, a comitiva teve que fazer na estação de sísmica de Taracuá, situada às margens do rio Urucu, a fim de reabastecer os helicópteros e prosseguir nossa viagem até a localidade de Urucu. Nessa pequena estação, nos deparamos com técnicos responsáveis pela busca de novos campos petrolíferos, que fazem da selva as suas moradas, a fim de mapear o subsolo amazônico na tentativa de encontrar áreas propícias para prospecção do petróleo e do gás natural.

Sr. Presidente, ao passo que concluo essa breve comunicação, aproveito para agradecer à diretoria da Petrobras pelo apoio prestado durante a minha visita ao gasoduto Urucu-Coari-Manaus, bem como para render minhas homenagens à Secretária de Controle Externo do Estado do Amazonas e à sua Assessora pela forma cortês e zelosa com que me receberam.

Por fim, solicito que cópia desta comunicação seja encaminhada ao Presidente da Petrobras, Sr. José Sérgio Gabrielli Azevedo; ao responsável pela obra do gasoduto Urucu-Manaus, Engº Mauro Loreiro; e à Secretária de Controle Externo do Estado do Amazonas, Sr.ª Nazaré do Socorro Gonçalves do Rosário Zuardi.

TCU, Sala das Sessões, em 17 de setembro de 2008.

Augusto Nardes
Ministro

Deixe seu comentário

Prezado leitor,

Lembramos que não serão aceitos comentários que tenham conteúdo ou termos ofensivos, nem que sejam desassociados do tema do post. Dúvidas sobre temas diversos devem ser encaminhadas ao Fale Conosco do site.

 caracteres restantes