Entrevista do presidente da Petrobras à Revista Newsweek

15 de junho de 2009 / 12:11 Entrevistas Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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A China superou os Estados Unidos como o maior parceiro comercial do Brasil, e a Petrobras, gigante do setor de energia brasileiro, contraiu um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China, concebido para financiar os acordos de petróleo sem utilizar o dólar. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, voou até Pequim com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para finalizar o negócio. Ele falou com a repórter Manuela Zoninsein, da Newsweek, sobre o relacionamento com a China.

Trechos:
Como a crise financeira estreitou a relação Brasil-China, e isso foi feito em detrimento dos laços Brasil-EUA?
A crise econômica mundial motivou que o mercado de crédito se tornasse mais seletivo, restringindo o acesso ao crédito e às fontes de financiamento, particularmente nos EUA, onde a crise das subprime veio à tona. A China se tornou um grande centro financeiro, interessado em financiar projetos em
diversos países ao redor do mundo.

A China e Brasil são concorrentes em algumas áreas.
Por um lado, o Brasil pode ajudar a fornecer as necessidades energéticas da China. Por outro lado, a China pode ser um grande financiador de projetos brasileiros e uma boa prestadora de bens e serviços de energia para a cadeia produtiva no Brasil. É um bom negócio: a China precisa de petróleo e tem dinheiro, nós precisamos de dinheiro e temos petróleo. É uma boa relação de negócios baseada no “ganha-ganha”.

Quando os dois gigantes podem trabalhar juntos?
No desenvolvimento de tecnologias. No Brasil, nós temos segmentos tecnológicos avançados, tais como a indústria da aviação. Temos feito grandes progressos na área dos biocombustíveis para além dos progressos que fizemos na Petrobras com a nossa expertise no desenvolvimento de tecnologia de exploração de águas profundas.

China e Brasil estão discutindo a forma de utilizar as suas próprias moedas em futuras transações comerciais. O que isso significa para a hegemonia do dólar na América Latina?
A Petrobras negocia usando o dólar americano como referência. Mas creio que poderia ser positiva, para o Brasil e para a China, a utilização das suas moedas nacionais nas operações de compra e venda. Isso poderia o aumentar fluxo comercial entre os dois países.

Daqui a dez anos, o que as pessoas vão lembrar em relação ao o que a crise de hoje mudou na política internacional e nos moldes do comércio internacional?
O ritmo do crescimento do PIB mundial dependerá mais dos países em desenvolvimento do que no passado, e isto será refletido na arquitetura financeira. A importância relativa do G20 em comparação com o G8 vai crescer.

Você pode esclarecer os termos do acordo com a Sinopec? A Petrobras fornece 150 mil barris de petróleo por dia no primeiro ano, subindo para 200 mil barris por mais nove anos para que ela receba um empréstimo de US$ 10 bilhões?
Os acordos de exportação com a Sinopec e os financiamentos concedidos pelo Banco de Desenvolvimento da China são dois diferentes acordos. Os empréstimos contraídos a partir do CDB serão pagos em dinheiro, não em petróleo. Exportações para a Sinopec são uma garantia para o empréstimo, mas eles vão ser negociados em termos comerciais, para cada entrega. O acordo não prevê um volume obrigatório de venda, nem fixação de preços.

Em que ponto o preço do petróleo vai se estabilizar?
Nossos projetos são sustentados com base em um preço do petróleo que varia entre US$ 37 a US$ 45 por barril. O preço internacional do petróleo não é necessariamente relevante para o comércio e as decisões de investimentos futuros, uma vez que existem grandes flutuações no preço do barril. Mas vejo um aumento no preço do petróleo.

O governo brasileiro detém 40% das ações e 58% das ações com direito a voto da Petrobras. Brasília influencia neste acordo?
Esta oportunidade de “fundraising” (angariar fundos) resultou da cooperação entre nossos países. Como maior acionista, o governo Brasileiro age como um grande motor para as transações comercias da Petrobras com empresas de outros países.

Para conhecer a matéria na íntegra, clique aqui.

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