Entrevista com diretor financeiro da Petrobras

24 de junho de 2009 / 09:29 Entrevistas Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

A+ A-

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Almir Barbassa, participou de evento com correspondentes internacionais na manhã de ontem (23/6), no escritório da Petrobras em São Paulo. Na ocasião, Barbassa falou sobre financiamentos da Companhia, captações no mercado, redução de custos nos empreendimentos e o desempenho das ações da empresa. O diretor também destacou o desenvolvimento do pré-sal e o aumento da produção de petróleo e gás.

Com os atuais patamares de preços do petróleo, o Plano de Negócios da Petrobras, com investimentos previstos de US$ 174,4 bilhões até 2013,  está totalmente financiado. Considerando o preço médio de US$ 66 por barril de 2009 a 2013 (cenário base do Plano de Negócios), a Petrobras espera gerar um fluxo de caixa, após pagamento de dividendos e amortizações, de US$ 148,6 bilhões, indicando necessidade de financiamento de US$ 25,8 bilhões. Nos primeiros cinco meses de 2009, a Companhia obteve US$ 31 bilhões de crédito no Brasil e no exterior, a maior captação da história da empresa.

No mercado acionário, entre fevereiro e junho, o desempenho das ações da Petrobras nas bolsas de valores de São Paulo e de Nova York foi superior aos índices Ibovespa e Dow Jones e à cotação do barril de petróleo tipo Brent. Na Bovespa, as ações ordinárias e preferenciais apresentaram valorização de 51% e 45%. Na bolsa de valores americana, as ADRs da empresa tiveram alta de 71% e 80% nas ações preferenciais e ordinárias, respectivamente.

Leia entrevista concedida a correspondentes estrangeiros ontem, 23/06, por Almir Guilherme Barbassa – Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras

Nós temos uma visão de longo prazo, as variações de curto prazo que a Diretoria possa sofrer, não afetam os nossos planos de investimentos, porque o que nós estamos fazendo hoje para produzir daqui a quatro ou cinco anos. Então, nossa visão fica mais no futuro, ao menos que, houvesse uma mudança muito drástica na economia.

Qual a perspectiva de preço para o futuro?

Esta é a pergunta mais difícil de fazer. Com a redução da economia mundial, que está se encaminhando, ainda temos um pouco de chão para correr, mas é possível que a esteja dando os primeiros passos para a recuperação da economia e certamente, a demanda por energia virá em seguida e por isso, os preços de recuperarão, como já recuperaram desde o início do ano, ao nível atual de preço, a empresa está perfeitamente financiada até 2013. Portanto, o preço atual é muito confortável para a companhia e não é um preço que está estressando a economia mundial e ainda existe espaço de crescimento de preço para o petróleo e isso, irá nos dar uma folga adicional.

O senhor teria uma previsão de crescimento do pré-sal?

No futuro, espero crescimento de preço. Nossa projeção é que o crescimento da produção de petróleo seja inferior a demanda, no futuro. Portanto, haverá um cerceamento de demanda via a elevação de preço, mas a demanda é igual à oferta. Isso nos dar um conforto de investimento.

Plano de investimentos 2009/10.

A Petrobras cerca de 18 bi, sendo que 6,5 bi com bancos, uma parte já foi refinanciada e como vai ser o restante e quando?

Nós não temos data para fazer isso. Olhamos o mercado e quando estiver em um bom momento, nós estamos confortáveis em caixa, não há nenhuma pressão do mercado, faremos no momento que julguemos mais adequado, juntamente como os bancos que estão avaliando esta oportunidade.

Redução de custos de cerca de 30% no primeiro trimestre, a que se deveu isso e qual a expectativa em relação a custos?

A queda nos preços, em geral e o petróleo foi uma das commodities que tiveram uma queda significativa desde meados do ano passado e isso, refletiu de maneira geral na economia. Então, para a indústria de petróleo, que vinha sendo pressionada, um ano atrás, se nós tivéssemos conversando, você me perguntaria para até onde iria o crescimento dos preços da indústria de petróleo e hoje, felizmente, a conversa é um pouco diferente. A expectativa é que esta queda generalizada de preços, em outros segmentos, reflita na indústria de petróleo, nós tivemos este efeito no custo operacional na companhia, que já foi divulgado no primeiro trimestre, e teve uma queda superior a 30%. Manter esta queda no trimestre seguinte é uma coisa boa, em termos de resultados para a empresa. Em breve, teremos um resultado seguro.

Hoje quais são os países ou as regiões que apresentam melhores oportunidades de negócios para a Petrobras?

O Brasil é o melhor lugar para a Petrobras. Aqui nós produzimos, refinamos, vendemos no País, a nossa receita total, cerca de 90% é no Brasil. Descobrimos petróleo no Brasil. Agora estamos olhando para a costa leste da África, México, as regiões maduras e que dê para explorar, na costa leste da Índia, estamos olhando em vários pontos do mundo e a América Latina, que é uma região muito próxima ao Brasil, em termos de cultura, e no mercado, nós estamos na maioria dos Países, aliás, em todos os Países das América Latina.

Em relação ao pré-sal, quais são os modelos? Para a empresa, qual seria a melhor alternativa?

A melhor alternativa ainda está sendo desenhada. O pré-sal é uma nova fronteira geológica e em termos de profundidade, distância da costa e certamente, nossa engenharia de produção de petróleo irá desenhar formas mais adequadas para este horizonte, este ambiente. E isso estamos fazendo intensamente, Nosso centro de pesquisas, que é uma alavanca de desenvolvimento das Petrobras, nossos geólogos estão estudando as formações onde estão o petróleo, nossos engenheiros estudando as áreas, as condições que existem para otimizar este custo. Nosso objetivo é produzir ao menor custo possível, o que é uma tradição da Petrobras. O nosso sistema de avaliação e aprovação dos novos projetos requer que eles produzam a custos muito baixos, de forma a criar uma proteção á empresa e a melhor maneira de proteger é produzir a preços, a custos baixos. Qualquer que seja o cenário de preços, nós estamos em uma realidade suportável.

CPI: como pode captar os negócios e isto preocupa de alguma forma?

É uma situação que vai atrair a atenção de muita gente da empresa, a direção, os gerentes estarão voltados para responder questionamentos e isso, acaba absorvendo um pouco da atenção, que hoje está voltada e muito dedicada a cumprir com o programa de investimentos. Nós temos um nível de atividade muito grande da companhia, hoje estamos investindo 100 milhões de dólares por dia, todo dia, inclusive, sábado e domingo e só no investimento, sem olhar o lado operacional. Estamos produzindo 2,5 milhões de barris por dia e isto requer muita atividade, atenção, muitos projetos, contratos e isto vem competir e de certa forma, acaba causando algum prejuízo.

Deixe seu comentário

Prezado leitor,

Lembramos que não serão aceitos comentários que tenham conteúdo ou termos ofensivos, nem que sejam desassociados do tema do post. Dúvidas sobre temas diversos devem ser encaminhadas ao Fale Conosco do site.

 caracteres restantes