Gases de efeito estufa: cartas ao Valor e O Globo

9 de outubro de 2009 / 00:37 Respostas à Imprensa Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

A+ A-

Carta ao Globo

Em relação à matéria “Pré-sal quadruplica emissão da Petrobras , publicada no jornal O Globo desta sexta-feira (9/10), a Petrobras esclarece que quaisquer análises baseadas em números de aumentos de emissões mostram-se precipitadas.

Apesar de ter recebido as informações sobre as possíveis emissões do pré-sal, a matéria do O Globo não informou que os volumes decorrentes da exploração nessa região dependerão da vazão de gás produzida e do teor de CO2 nos campos de produção. Alguns poços já demonstraram concentrações de CO2 acima do encontrado na Bacia de Campos, enquanto outros apresentaram concentração zero. Portanto, estas informações ainda estão sendo coletadas a partir da perfuração e de testes nos poços.

Apesar de não haver estudos conclusivos sobre concentração de dióxido de carbono (CO2) no pré-sal, a Petrobras, de forma pró-ativa, decidiu reinjetar 100% desse CO2 associado ao gás natural produzido na camada pré-sal. Os estudos em desenvolvimento indicam tecnologias seguras e sustentáveis para devolver o dióxido de carbono ao subsolo, já aplicadas em países como a Noruega.

Em novembro, a empresa dará início à injeção de gás CO2 em alta pressão no campo terrestre de Miranga, na Bahia, que testará tecnologias que poderão contribuir para os projetos do pré-sal. O objetivo da Petrobras é, além do armazenamento do CO2, também aumentar o rendimento produtivo desses campos, uma vez que o dióxido de carbono atua como uma espécie de solvente que altera as propriedades do petróleo e facilita o escoamento. Outras opções em análise são o armazenamento do dióxido de carbono em reservatórios com aquíferos salinos sob o fundo do mar, a reinjeção em reservatórios de gás exauridos e a sua estocagem em cavernas na camada de sal.

A matéria do O Globo também não informou que a Petrobras realiza o inventário de suas emissões desde 2002, à frente de grande parte das empresas que agora participam do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se de uma medida voluntária, assim como é voluntária a meta traçada pela Companhia de evitar para os anos de 2009 e 2103, a emissão de 2,3 e 4,5 milhões de toneladas de CO2 (e gases equivalente), respectivamente.

Vale destacar também que, mesmo entendendo que a natureza de sua atividade colocaria a Petrobras em uma posição acima das demais empresas no ranking de emissões, a Companhia decidiu participar do GHG Protocol, assim como também participa de importantes fóruns de discussão sobre o assunto, nas esferas nacional e internacional. A Petrobras tem uma visão clara sobre as implicações de sua atividade e seguirá publicando suas emissões. A empresa manterá seu compromisso com a transparência, com a definição de metas e a realização de ações que evitarão emissões, como os investimentos em biocombustíveis, fontes renováveis e eficiência energética.

Veja a seguir a carta ao Valor Econômico, e as perguntas encaminhadas pelos jornais com as respectivas respostas da Petrobras.

Carta ao Valor

Em relação à matéria “Empresas emitiram 85,2 milhões de toneladas de gás-estufa em 2008″, publicada no jornal Valor Econômico, desta sexta-feira (9/10), a Petrobras esclarece que apesar de não haver estudos conclusivos sobre concentração de dióxido de carbono (CO2) no pré-sal, a Petrobras, de forma pró-ativa, já decidiu reinjetar 100% desse CO2 associado ao gás natural produzido na camada pré-sal. Os estudos em desenvolvimento indicam tecnologias seguras e sustentáveis para devolver o dióxido de carbono ao subsolo, já aplicadas em países como a Noruega.

Em novembro, a empresa dará início à injeção de gás CO2 em alta pressão no campo terrestre de Miranga, na Bahia, que testará tecnologias que poderão contribuir para os projetos do pré-sal. O objetivo da Petrobras é, além do armazenamento do CO2, também aumentar o rendimento produtivo desses campos, uma vez que o dióxido de carbono atua como uma espécie de solvente que altera as propriedades do petróleo e facilita o escoamento. Outras opções em análise são o armazenamento do dióxido de carbono em reservatórios com aquíferos salinos sob o fundo do mar, a reinjeção em reservatórios de gás exauridos e a sua estocagem em cavernas na camada de sal.

A Petrobras realiza o inventário de suas emissões desde 2002, à frente de grande parte das empresas que agora participam do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se de uma medida voluntária, assim como é voluntária a meta traçada pela Companhia de evitar para os anos de 2009 e 2103, a emissão de 2,3 e 4,5 milhões de toneladas de CO2 (e gases equivalente), respectivamente.

Vale destacar também que, mesmo entendendo que a natureza de sua atividade colocaria a Petrobras em uma posição acima das demais empresas no ranking de emissões, a Companhia decidiu participar do GHG Protocol, assim como também participa de importantes fóruns de discussão sobre o assunto, nas esferas nacional e internacional. A Petrobras tem uma visão clara sobre as implicações de sua atividade e seguirá publicando suas emissões. A empresa manterá seu compromisso com a transparência, com a definição de metas e a realização de ações que evitarão emissões.

RESPOSTAS AO VALOR:
Quais são as principais fontes de emissão dentro da empresa?
Unidades de produção e refino.

Quais são os esforços para minimizar estas emissões?
Com relação à emissão dos processos típicos das atividades da Petrobras, foram estabelecidos objetivos no sentido da atenuar a curva de crescimento. Cabe esclarecer que os objetivos voluntários estabelecidos estimulam crescimento mais “limpo”.
Dentre as ações desenvolvidas pela companhia, vale destacar:
1 – A Petrobras possui um sistema robusto de
inventário de suas emissões, que coleta dados sobre fontes emissoras desde 2002.
2 - É transparente e divulga todos os anos, no Balanço Social e Ambiental, o inventário de emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), com verificação externa, bem como as medidas tomadas para contribuir para a mitigação da mudança do clima.

3 – Contempla a dimensão Mudança Climática em suas estratégias, estabelece objetivos voluntários e indicadores de gestão desde 2005, tem uma governança interna específica para o tema, e avalia oportunidades de abatimento de emissões de GEE nos novos empreendimentos, com o objetivo de crescer com sustentabilidade ambiental.
4 - Implementa Programas Internos para Mitigação da Mudança Climática, visando à atenuação da curva de crescimento das emissões, abrangendo: Programa Interno de Conservação de Energia, Programa de Otimização do Aproveitamento do Gás Associado e Programas para atuação em
Renováveis, tendo evitado a emissão de 5 milhões de ton de CO2 equivalente entre 2006 a 2008 nas suas operações.
5 - Investe em programas de
Pesquisa & Desenvolvimento para viabilizar novas tecnologias, incluindo Renováveis, Eficiência Energética e CCGS (captura, seqüestro, transporte, armazenamento geológico e monitoramento do CO2), envolvendo diversas universidades e institutos de pesquisa.
6 - Criou a subsidiária
Petrobras Biocombustível em 2008, que investirá US$ 2,8 bilhões entre 2009 e 2013. Opera 3 plantas de biodiesel, tendo as usinas de Candeias e Quixadá recebido o Selo Combustível Social, com a matéria-prima de origem, prioritariamente, da agricultura familiar, buscando a sustentabilidade econômica, social e ambiental.
7 – Atuou em diversas etapas do Proalcool, que evitou o lançamento de mais de 650 milhões de ton CO2e desde 1975.
8 – Estimula consumidores para o uso de combustíveis de forma mais racional através das ações do
CONPET. Desde sua criação, em 1991, o Programa tem contribuído para que fosse evitado o lançamento de milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.
9 - Busca o
engajamento junto a diversos setores e públicos de interesse, nacionais e internacionais, no esforço da compreensão dos impactos e vulnerabilidades da mudança do clima e nas iniciativas para a sua mitigação.
10 - Em 2008 ampliou a abordagem do
Programa Petrobras Ambiental com a inclusão de questões relativas à fixação de carbono e emissões evitadas, com base em reconversão produtiva das áreas, recuperação de áreas degradadas, conservação de florestas e áreas naturais. Os projetos selecionados, considerando a área plantada e a área de desmatamento evitado, apresentam um potencial para evitar milhões de toneladas de CO2.

RESPOSTAS AO GLOBO

1. A Petrobras já fez algum levantamento sobre o impacto de emissões de CO2 que a produção do pré-sal vai provocar?
Os volumes de emissão de CO2 decorrentes da exploração do pré-sal dependerão da vazão de gás produzida e do teor de CO2 nos campos de produção. Estas informações ainda estão sendo coletadas a partir da perfuração e de testes nos poços.Apesar de não haver estudos conclusivos sobre concentração de dióxido de carbono (CO2) no pré-sal, a Petrobras, de forma pró-ativa, decidiu buscar soluções para não ventilar para a atmosfera o CO2 associado ao gás natural produzido na camada pré-sal, reinjetando 100% desse CO2.
Vários caminhos tecnológicos estão em estudo para o armazenamento geológico do CO2 na região do pólo pré-sal da Bacia de Santos. Um deles é a reinjeção desse gás nos próprios reservatórios de petróleo com o objetivo não só de armazenamento, mas também de potencialmente aumentar o rendimento produtivo desses campos, uma vez que o dióxido de carbono atua como uma espécie de solvente que altera as propriedades do petróleo e facilita o escoamento da rocha-reservatório. Outras opções em análise são o armazenamento do dióxido de carbono em reservatórios com aquíferos salinos sob o fundo do mar, a reinjeção em reservatórios de gás exauridos e a sua estocagem em cavernas na camada de sal.

2. A redução de 2,3 e 4,5 milhões (de emissões de CO2 – meta voluntária da Petrobras) prevista entre 2009 e 2013 será atingida como?
A Petrobras já desenvolve ações no âmbito do Projeto Estratégico Mudança Climática, integrante de seu Plano Estratégico 2009-2013, que busca reduzir os níveis de emissão de gases de efeito estufa nos seus processos e produtos da empresa, aumentar a eficiência energética ao longo de suas atividades e investir em novas tecnologias nessa área.
No Centro de Pesquisa da Petrobras, são desenvolvidos o
Proclima – Programa Tecnológico de Mudanças Climáticas, criado em 2007, e o PRO- CO2 – Programa Tecnológico de Gerenciamento do CO2, criado em 2009 especificamente para o pólo pré-sal da Bacia de Santos.
A técnica de reinjeção de CO2 , por exemplo, está em teste no campo de Miranga, na Bahia. O processo é usado para o desenvolvimento de tecnologias visando evitar as emissões do CO2 e também para aumentar a produtividade dos poços.

3. No período de 2006 a 2008, a empresa reduziu suas emissões em 5 milhões de toneladas. o que foi feito para atingir este resultado?
Algumas das principais iniciativas da Petrobras para a redução das emissões de gases de efeito estufa são as ações para a racionalização do uso dos combustíveis fosseis e uso de energias renováveis. A Petrobras possui uma usina eólica piloto em Macau, no Rio Grande do Norte, cuja capacidade é de 1,8 MW. Esta usina foi o primeiro projeto da Petrobras a receber o registro de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para obtenção de créditos de carbono. O uso de energia eólica nesta unidade evita a emissão de aproximadamente 1.300 toneladas de CO2 equivalentes por ano.A Petrobras também possui um programa de instalação de coletores termossolares em suas unidades e edifícios para aquecimento de água em banheiros e refeitórios. Com essa iniciativa, a Petrobras obtém, anualmente, uma economia de 1.871 MW/h e deixa de emitir 1.405 toneladas de CO2/ano.
Já o Programa Interno de Conservação de Energia é responsável pela economia de 1,1 gigawatt na demanda por energia elétrica e de cerca de 2,5 mil barris de óleo equivalente por dia. Outra iniciativa, o Programa de Otimização do Aproveitamento do Gás, visa reduzir a queima de gás natural em 24 plataformas de produção.

Deixe seu comentário

Prezado leitor,

Lembramos que não serão aceitos comentários que tenham conteúdo ou termos ofensivos, nem que sejam desassociados do tema do post. Dúvidas sobre temas diversos devem ser encaminhadas ao Fale Conosco do site.

 caracteres restantes