Outra opinião: o pré-sal segundo Ignacy Sachs

11 de outubro de 2009 / 16:03 Entrevistas,Reportagens Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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sachsEm entrevista na matéria “A energia do amanhã” do suplemento trimestral CartaVerde, da última edição (567) da revista Carta Capital, o economista e brasilianista polonês naturalizado francês, Ignacy Sachs falou, entre outros assuntos, do papel do pré-sal. Com o aval de quem teve relevância na primeira Conferência da ONU de Meio Ambiente e Desenvolvimento, em Estocolmo, quando formulou o conceito de ecodesenvolvimento – mais tarde rebatizado pela ONU de desenvolvimento sustentável, Sachs também participou da Cúpula da Terra, a Eco-92, como conselheiro especial das Nações Unidas na Conferência do Rio de Janeiro. Atualmente, é consultor de vários governos, incluindo o brasileiro, onde atua no Ministério de Desenvolvimento Agrário, e de organismos internacionais. É também professor emérito da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais, em Paris. Da entrevista, destacamos os seguintes trechos:

CV: Como implantar uma economia de baixo carbono num mundo que gira em torno do petróleo e de toda sua cadeia produtiva?
IS:
Construir uma estratégia de saída progressiva do petróleo é tarefa de décadas, que não deve subestimar o poder de fogo das forças conservadoras no Brasil e no mundo. A biocivilização está sendo inventada e requer planejamento a partir de agora. Os geólogos nos dizem que estamos nos aproximando do pico do petróleo. Quando ele se tornar mais raro e sua extração mais difícil, os preços altos vão nos empurrar para a busca de soluções mais viáveis. O problema é que, nos últimos 30 anos de contrarreforma neoliberal, perdemos a capacidade de pensar a longo prazo. Estamos atrelados ao imediatismo, pretendendo que o mercado regule tudo. O mercado é míope e insensível às questões sociais e ambientais. Então, precisamos reintroduzir o hábito de planejar para fazer essa transição.

CV: A descoberta do pré-sal não muda esse cenário?
IS:
Não muda, apenas dá ao Brasil a vantagem de ter uma nova fonte de petróleo, embora de difícil manejo e com alto custo de exploração. O importante é saber utilizar os recursos energéticos para construir essa estratégia de transição, financiando pesquisas que permitam a evolução dos biocombustíveis, por exemplo. Reservar o petróleo para finalidades químicas e petroquímicas, que são usos mais nobres do que a queima para combustível. Investir na terceira geração de biocombustíveis, a partir de algas marinhas, e na energia eólica em regiões desérticas. Assim não serão subtraídas áreas destinadas à agricultura. Não quero parecer um otimista tecnológico inveterado nem quero aceitar o pessimismo dos que acham que estamos na eminência de uma catástrofe.

Com relação à Economia de baixo carbono e o pré-sal, leia o post “Gases de efeito estufa: cartas ao Valor e O Globo” do qual pode-se ler que “(…) a Petrobras, de forma pró-ativa, decidiu reinjetar 100% desse CO2 associado ao gás natural produzido na camada pré-sal. (…)”.

Veja conteúdo da Petrobras Biocombustível publicado na edição deste domingo (11/10) no jornal O Dia, e também os aspectos geopolíticos e econômicos do pré-sal no folheto do Pré-sal. E matéria da Petrobras Magazine sobre Projeto pioneiro no mundo, desenvolvido para a captura de CO2, será testado na Unidade de Industrialização do Xisto da Petrobras, e Microalgas geram biodiesel

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