Gás associado: carta ao Brasil Econômico

21 de outubro de 2009 / 21:40 Respostas à Imprensa Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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A Petrobras rejeita a matéria “Dinheiro é Queimado na Bacia de Campos”, publicada nesta quarta-feira (21/10). Entre 1999 e 2008, período no qual a produção de petróleo e gás da Companhia cresceu mais de 60%; de aproximadamente 1,3 milhão para 2,15 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boepd), o volume de gás queimado, em boepd, reduziu de 2,9% para 1,7%. Ou seja, a empresa diminuiu a queima de gás enquanto aumentava a produção de petróleo, o que representa um importante aumento do aproveitamento do gás.

A matéria classifica a Petrobras de “maior poluidora do país”, mas as emissões da empresa devem ser comparadas com as emissões de companhias do segmento de petróleo e não apenas com empresas de outros setores, como financeiro, comercial e de cosméticos. A Petrobras tem uma visão clara sobre as implicações de sua atividade e mantém seu compromisso com a transparência, com a definição de metas e ações para evitar emissões. Prova disso, é que mesmo entendendo que a natureza de sua atividade a colocaria em uma posição acima das demais empresas no ranking de emissões, a Companhia decidiu participar do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além disso, já estabeleceu voluntariamente, conforme publicado em seu Balanço Social e Ambiental e destacado no Plano de Negócios 2009 – 2013, a meta de evitar a emissão de 2,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2009 e de 4,5 milhões em 2013.

Cabe destacar que, conforme assinalado no próprio relatório da FGV, as emissões totais de gases de efeito estufa das 22 empresas avaliadas, incluindo a Petrobras, representam apenas 3,8% das emissões brasileiras em 2005, contra 81% representada pela mudança do uso do solo, desflorestamento e atividades agropecuárias (dados de 1994, ano em que o último inventário oficial brasileiro foi publicado). Finalmente, é importante frisar que não existe produção de petróleo sem queima de gás, que ocorre, em primeiro lugar, por questão de segurança.

Leia as perguntas do Brasil Econômico e as respostas da Petrobras em1. A Petrobras aumentou o volume de queima de gás natural, em todo o país, em 2009, segundo dados da própria ANP. Até agosto, foram queimados mais de 2,3 milhões de metros cúbicos/dia, volume quase igual aos 2,4 milhões queimados ao longo de todo o ano de 2008. A que se deve esse aumento?

É importante frisar que não existe produção de petróleo sem queima de gás, que ocorre, em primeiro lugar, por questão de segurança. A queima observada no primeiro semestre deveu-se ao início de operação de três novas plataformas: P-51, P-53 e FPSO Cidade de Niterói. Durante o período de testes as plataformas queimam gás até que os sistemas de escoamento se estabilizem. Também foram efetuadas paradas para manutenção, renovação de certificação de segurança e realização de testes em plataformas, previamente informadas aos órgãos competentes.

2. Que iniciativas foram adotadas para reduzir a queima do gás, principalmente na Bacia de Campos, responsável pela maior parcela do petróleo produzido no país?

A empresa vem promovendo desde 2001 investimentos em programas de aproveitamento do gás produzido, que totalizaram até agora cerca de US$ 400 milhões. Esses investimentos demonstram a preocupação da Petrobras com o meio ambiente e, também, o quanto a empresa considera o gás natural um produto estratégico para os seus negócios, cada vez mais valorizado no mercado doméstico e internacional. Especificamente sobre o gás associado produzido por suas plataformas, sua redução é um objetivo permanente da empresa, que tem o maior interesse em aproveitar ao máximo o gás associado. A meta do Plano de Negócios é aproveitar 92% do gás produzido até o final de 2010.

3. A empresa tem alguma estimativa do desperdício com a queima do gás natural, não só em termos financeiros, mas também ambientais?
Entre 1999 e 2008, periodo no qual a produção de petróleo e gás da Companhia cresceu mais de 60%; de aproximadamente 1,3 para 2,15 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boepd), o volume de gás queimado, em boepd, reduziu-se de 2,9% para 1,7%. Ou seja, a empresa diminuiu a queima de gás enquanto aumentava a produção de petróleo, o que representa um importante aumento do aproveitamento do gás.

4. A empresa tinha firmado um compromisso com a ANP de redução gradual da queima de gás natural, principalmente na Bacia de Campos. O aumento da queima em 2009 evidencia um não cumprimento das metas estipuladas pelo programa – batizado de Queima Zero. Por que desse não cumprimento e qual a implicação disso – a Petrobras paga alguma multa aos órgãos ambientais, por isso?

Como já mencionado, entre 1999 e 2008, periodo no qual a produção de petróleo e gás da Companhia cresceu mais de 60%; de aproximadamente 1,3 para 2,15 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boepd), o volume de gás queimado, em boepd, reduziu-se de 2,9% para 1,7%. Ou seja, a empresa diminuiu a queima de gás enquanto aumentava a produção de petróleo, o que representa um importante aumento do aproveitamento do gás.

5. A empresa vai promover um inventário do CO-2 emitido por suas atividades. Por que e quais as implicações desse inventário? A empresa vai poder, por exemplo, aderir ao mercado de carbono, uma vez concluído esse inventário?

Desde 2002 a empresa realiza anualmente o inventário das emissões para a atmosfera provenientes de seus processos produtivos, incluindo gases de efeito estufa. Os resultados desse inventário vem sendo regularmente publicados no Balanço Social e Ambiental da Petrobras emitido a cada ano. O inventário é elaborado com base nos dados e informações consolidados pelo Sistema de Gestão de Emissões Atmosféricas – Sigea, um sistema especificamente desenvolvido para a Companhia, que atende aos requisitos do GHG Protocol e que hoje está implantado em todas as operações sob controle operacional da Petrobras na América Latina e nos Estados Unidos.

O inventário, além de suportar o processo de comunicação da Petrobras com seus públicos de interesse, se constitui em insumo indispensável para a gestão da Companhia, permitindo o monitoramento do desempenho dos processos, a identificação de áreas prioritárias de atuação visando à melhoria da ecoeficiência e a avaliação dos resultados das ações implementadas. Viabiliza ainda a identificação das melhores oportunidades de obtenção de créditos de carbono.

Desde 2005, a Petrobras está buscando enquadrar seus projetos nas normas do Protocolo de Quioto, visando à obtenção de certificados de redução de emissões (créditos de carbono) de acordo com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O primeiro projeto da empresa a receber da Organização das Nações Unidas (ONU) o registro de MDL foi o da Usina Eólica de Macau, no Rio Grande do Norte, em março de 2007.

Outros projetos da Petrobras estão sendo analisados e logo devem receber seus certificados de MDL. O empenho na aquisição desses créditos – que atestam redução na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) – explicita o compromisso da Petrobras com a sustentabilidade do seu negócio. São também tais certificados que permitirão, no futuro, o ingresso da companhia no mercado de créditos de carbono

6. Qual o prazo de conclusão desse inventário?

Como mencionado na resposta à questão 5 os inventários são realizados anualmente
Apesar de não existirem normas brasileiras nesse sentido, a Petrobras publica a cada ano, em seu Balanço Social e Ambiental, os resultados desses inventários, as ações implantadas para melhoria do desempenho no que diz respeito à emissão de gases de efeito estufa e as metas voluntárias a serem atingidas.

7. O governo vai divulgar hoje as metas oficiais de redução de CO-2 que vão ser apresentadas na reunião de Copenhague. Quais as implicações dessas metas para a Petrobras? A empresa terá que reduzir as emissões de CO-2 para atender a essas metas? Qual o impacto econômico e operacional dessa redução para a companhia? A Petrobras vai ter que diminuir o ritmo de produção de petróleo onde há gás associado, para cumprir tais metas?

Ainda não temos informações precisas sobre as metas que serão divulgadas pelo Governo.

De qualquer maneira, a Petrobras já estabeleceu voluntariamente, conforme publicado em nosso Balanço Social e Ambiental e destacado no Plano de Negócios 2009 – 2013, a meta de evitar a emissão de 2,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2009 e de 4,5 milhões em 2013, antecipando-se às demais empresas que agora participam do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No período entre 2006 e 2008, a Petrobras evitou a liberação de aproximadamente 5 milhões de toneladas de CO2 equivalente em suas operações.

8. Qual o investimento da empresa na redução das emissões de CO-2 em todas as suas atividades?

Os dispêndios da Petrobras na área de meio ambiente como um todo ultrapassaram US$ 900 milhões em 2008.

9. Especialistas atribuem à Petrobras a pecha de maior poluidora do Brasil, levando-se em consideração só o conceito de emissões de CO-2. O que a empresa tem a dizer sobre isso, no momento em que se discute justamente medidas contra o aquecimento global? A empresa não teme que esse tipo de estigma possa prejudicar a relação com os investidores, uma vez observada a importância conquistada pelo tema nos últimos anos?

As emissões da Petrobras devem ser comparadas com as de companhias do segmento de petróleo e não apenas com empresas de outros setores, como financeiro, comercial e de cosméticos. Mesmo entendendo que a natureza de sua atividade colocaria a Petrobras em uma posição acima das demais empresas no ranking de emissões, a Companhia decidiu participar do GHG Protocol, assim como também participa de importantes fóruns de discussão sobre o assunto, nas esferas nacional e internacional. A Petrobras tem uma visão clara sobre as implicações de sua atividade e mantém seu compromisso com a transparência, com a definição de metas e a realização de ações que evitarão emissões.

Cabe destacar que, conforme assinalado no próprio relatório da FGV, as emissões totais de gases de efeito estufa das 22 empresas avaliadas, incluindo a Petrobras, representam apenas 3,8% das emissões brasileiras em 2005, contra uma parcela da ordem de 81% representada pela mudança do uso do solo, desflorestamento e atividades agropecuárias (dados de 1994, ano em que o último inventário oficial brasileiro foi publicado).

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