Presidente da BR: Petrobras, como operadora do pré-sal, pode planejar a longo prazo

16 de novembro de 2009 / 21:52 Informes Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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O presidente da Petrobras Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, participou na manhã desta segunda-feira (16/11) do painel “Pré-sal: Oportunidade para o Brasil e Novo Marco Regulatório”, do Seminário sobre o pré-sal, realizado no auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal.

Em sua apresentação, Lima destacou a importância de a Petrobras ser escolhida como operadora única das áreas ainda não licitadas do pré-sal. “O governo (ao apresentar esses projetos de lei) propôs tratamento diferenciado à Petrobras. Vale ressaltar que em nenhum país do mundo que tem grandes quantidades de petróleo trata sua empresa estatal da mesma forma que as outras empresas. E por que isso acontece? Porque a empresa que está no país desenvolve tecnologia com as universidades do país, contrata no país, gera emprego no país. Por isso o governo brasileiro escolheu a Petrobras para ser operadora na área do pré-sal. Outro motivo importantíssimo é que, para desenvolver o pré-sal, precisamos produzir equipamentos, sondas e navios. A Petrobras, sabendo que será operadora, pode planejar a longo prazo. Pode ajudar os fornecedores brasileiros e cobrar deles. Se não fosse operadora, contrataria de acordo com o que acontecesse e esse planejamento não seria possível. Outra vantagem é a otimização logística que ocorrerá”.

Sobre as críticas com relação ao modelo de partilha, José Lima de Andrade Neto foi categórico: “Existem mais modelos no mundo do que países, pois muitas nações adotam mais de um modelo. É equivocado afirmar que países de primeiro mundo preferem o modelo de concessão e os de terceiro tendem a optar pela partilha. A correlação inteligente é outra: os países que têm óleo em grande quantidade entendem que é uma questão estratégica e optam por sistemas de partilha”.

Petróleo manterá preponderância sobre outras fontes de energia

O presidente da Petrobras Distribuidora também destacou aspectos geopolíticos intrínsecos à produção de petróleo, lembrando que o crescimento mundial está diretamente ligado ao consumo de energia. “O mundo cresce e, com isso, consome mais energia. Não há outra relação mais direta do que a relação entre PIB (Produto Interno Bruto) e consumo de energia”, relacionou, lembrando que o petróleo e o gás natural são as principais fontes de energia do mundo e, de acordo com analistas, devem manter a preponderância sobre outras fontes nas próximas décadas. Ele citou alguns dados: hoje são consumidos no mundo 85 milhões de petróleo por dia. “Mesmo que não houvesse aumento no consumo, há necessidade de integrar novas reservas porque os campos de petróleo, na medida amadurecem, produzem menos. Há campos em que a produção cai 10% ao ano. Isso quer dizer que se não desenvolvermos novas reservas, a produção cairá drasticamente, mesmo que o consumo esteja estagnado, o que não acontece. Por esses e outros motivos é possível afirmar que as reservas de petróleo terão papel predominante no mundo nos próximos anos”, disse.

Lima também ressaltou que a parceria entre a Companhia e a universidade é antiga. “O modelo de integração entre a Petrobras e a universidade no Rio Grande do Norte é exemplar e está sendo replicado no país. Temos aqui um centro muito ativo para a indústria do petróleo”, disse.

O evento, realizado pela UFRN e pelo governo do Estado do Rio Grande do Norte, contou também com a presença do secretário de Energia do estado, Jean Paul Prates, do reitor da UFRN, José Ivonildo do Rego, e do deputado federal Henrique Eduardo Alves, relator do projeto que define o sistema de partilha como modelo para a exploração das áreas do pré-sal que ainda não foram licitadas, além de outras autoridades técnicas e políticas.

Geopolítica reforça característica estratégica do petróleo

À tarde, no painel “Geopolítica do Petróleo e Sistemas Regulatórios”, o engenheiro e consultor da Petrobras, Elie Abadie, detalhou dados relativos à geopolítica, lembrando que os EUA e a China são os maiores consumidores do mundo, produzindo muito menos do que sua necessidade. “Hoje, 77% das reservas de 1,24 trilhão de barris de petróleo são estatais”, mostrou durante a apresentação.

Fernando Siqueira, presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET), também falou sobre a geopolítica do petróleo e lembrou que hoje, para cada barril de petróleo descoberto, quatro são consumidos. “Se as reservas de 100 bilhões de barris se confirmarem, o Brasil poderá chegar à mesma quantidade de petróleo que tem o Iraque”, disse. “A tendência moderna é a estatização, porque os países chegaram à conclusão de que o petróleo não é commodity e sim um recurso estratégico. O mundo não sabe como viver sem energia”, afirmou. O engenheiro rebateu também afirmações de que a Companhia brasileira tem dificuldade de obter crédito. “O Goldman Sachs distribuiu relatório em que posicionou a Petrobras entre as 10 mais viáveis do mundo e com ativo que é ótima garantia: o petróleo do pré-sal”.

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