Petrobras na batida social do AfroReggae

29 de agosto de 2010 / 12:10 Reportagens Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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A equipe do blog Fatos e Dados foi a Vigário Geral, na Zona Leopoldina do Rio de Janeiro, para conhecer um pouco do trabalho do AfroReggae. Não só o som da banda que conquistou o mundo com sua percussão. Fomos até lá para conhecer o Centro Cultural Waly Salomão (CCWS) e as atividades realizadas no espaço, que é patrocinado pela Petrobras. Inaugurado em maio deste ano, o prédio reúne, em 1,4 mil m2, projetos variados de inclusão social promovidos pela organização Grupo Cultural AfroReggae.

Descendo a passarela de Vigário Geral, já fomos surpreendidos por um grupo de rapazes que extraía sons de latas de tinta ou óleo, tonéis e de outros materiais aproveitados, associando a percussão a uma coreografia contagiante. A recepção não poderia ser melhor: estávamos em terreno do AfroReggae.

Em seguida, fomos levados até a praça Tropicalismo, planejada para apresentações gratuitas de teatro, dança, shows musicais e exibições audiovisuais, numa área em frente ao Centro Cultural. Ali, fomos recebidos por outro grupo de percussão, dessa vez de cerca de 20 crianças. A meninada não brinca em serviço e, além da nossa atenção, acaba atraindo também os passantes com o ritmo.

Com a fachada pintada nas cores do grupo – verde, amarelo, vermelho e preto – o prédio do CCWS oferece em quatro andares aulas de percussão, dança, mantra, bateria, guitarra, tai chi chuan, além de outras atividades atraentes ao público jovem. O espaço abriga um estúdio de batidas eletrônicas , único no estilo na América Latina; núcleo digital com 17 computadores com rede wi-fi; salas especiais para apresentações musicais, teatrais e circenses e ambiente para oficinas de dança. Também estão sendo implantados um estúdio de gravação, mixagem e masterização para produção de CDs com qualidade profissional, um auditório para teleconferências e projeções de vídeo, além de biblioteca, videoteca e cdteca. É um verdadeiro universo sociocultural a ser explorado pela comunidade e por quem mais estiver interessado. As atividades são gratuitas.

Nosso guia, Vitor Onofre, coordenador do Núcleo de Vigário Geral – o AfroReggae possui cinco núcleos, todos apoiados pela Petrobras – contou um pouco da história dos 17 anos da instituição, fundada oficialmente em janeiro de 1993. A proposta era transformar a realidade de jovens moradores de favelas utilizando a educação, a arte e a cultura como instrumentos de inserção social. Um mês depois do episódio que ficou marcado como a Chacina de Vigário Geral, em agosto de 1993, o AfroReggae entra na comunidade oferecendo oficinas variadas para os moradores dali. Desde então, a organização não parou mais e vem invadindo territórios, levando arte, cultura e oportunidades.

– No início as pessoas não acreditavam no AfroReggae. Minha mãe me dizia que isso aqui não me daria futuro. Hoje, tudo que tenho, casa, carro, etc, devo ao AfroReggae – lembra Vítor Onofre.

Hoje a história é diferente e o Grupo Cultural Afroreggae é reconhecido internacionalmente pelas iniciativas sociais que desenvolve. Outra vertente dessa atuação também pôde ser conferida pelo Blog, que assistiu às apresentações das bandas Párvati e Afro Samba , crias do celeiro de talentos. A diversidade de gêneros dita o ritmo dos grupos artísticos, que são formados por alunos egressos das oficinas de música: do rock misturado ao soul das meninas da Párvati ao som do Afro Samba, influenciado por bambas, como Arlindo Cruz, Nelson Sargento e Almir Guineto, passando por Maracatu, música clássica e outras sonoridades.

Coordenador executivo do AfroReggae e um dos fundadores do grupo, José Junior dimensiona, por meio de uma das iniciativas de inserção social realizada em parceria com grandes empresas, a importância de todo o trabalho:

– A partir do projeto Empregabilidade, 1.250 pessoas foram encaminhadas para trabalhar com carteira assinada. E desse total, 60% são ex-presidiários ou de ex-traficantes – conclui.

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