P-57 será modelo para plataformas do pré-sal

7 de outubro de 2010 / 13:17 Reportagens Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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A Petrobras batizou nesta quinta-feira (7/10), no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis (RJ), o navio-plataforma P-57, que irá operar no campo de Jubarte, na porção capixaba da Bacia de Campos, a 80 km da costa do Espírito Santo. Essa unidade inaugura uma nova geração de plataformas, concebidas e montadas a partir do conceito de engenharia que privilegia a simplificação de projetos e a padronização de equipamentos. Um modelo que será referência para as futuras plataformas da Petrobras, como a P-58 e P-62, e para as unidades que irão operar no pré-sal da Bacia de Santos.

A P-57 é uma plataforma do tipo FPSO (sigla em inglês que significa unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo) e integra a segunda fase de desenvolvimento do campo de Jubarte. Ancorada a uma profundidade d´água de 1.260 metros, produzirá petróleo de 17 graus API (medida de densidade do petróleo). Ela terá capacidade para processar, diariamente, até 180 mil barris de petróleo e 2 milhões de metros cúbicos de gás. Começará a operar ainda este ano, interligada a 22 poços, sendo 15 produtores e 7 injetores de água. Será a primeira unidade dessa complexidade a operar na costa do Espírito Santo.

A nova unidade de produção entrará em operação ainda em 2010 e o pico de produção deverá ser atingido até o início de 2012. O petróleo produzido será transferido por navios aliviadores para terra. E o gás será escoado por gasoduto submarino para a Unidade de Tratamento de Gás Sul Capixaba, localizada na região de Ubu, no município de Anchieta, a cerca de 100 km de Vitória.

A cerimônia de batismo, em Angra dos Reis, contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e outras autoridades do governo federal, do governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, além do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, e dos diretores Guilherme Estrella, de Exploração e Produção; Paulo Roberto Costa, de Abastecimento; Renato Duque, de Serviços, e Graça Foster, diretora de Gás e Energia.

Gabrielli afirmou que nos próximos anos serão construídas dezenas de plataformas e de barcos de apoio. “Nosso programa é um programa de crescimento acelerado, que aponta claramente para um futuro melhor com mais emprego, mais produção de combustível, mais capacidade de gerar emprego e renda em outras atividades da economia brasileira”. O presidente da estatal ressaltou também que, a capitalização da Petrobras, apoiada pelo governo e dos outros acionistas, viabilizaram a maior capitalização do mundo. “O que nós oferecemos foi: compre as ações da Petrobras, porque nós vamos crescer, vamos gerar emprego, vamos gerar renda e vamos gerar capacidade de produção maior ainda.”

Sérgio Cabral destacou o conjunto de investimento no estado, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, que vai consumir perto de 20 bilhões de dólares, e refinarias gerando valor agregado. Ele citou também o Complexo Industrial do Porto do Açu, na região norte, que apesar de ser um investimento privado, depende da Petrobras e do crescimento brasileiro para ir em frente.

O presidente Lula lembrou que, desde a década de 70 até 2003, não havia mais engenharia naval no país. Que foi em Angra dos Reis, onde começou a recuperação da indústria naval no Brasil. O presidente agradeceu à Petrobras por ter recuperado o sentido de empresa brasileira. Ele disse que a estatal tem 224 bilhões de dólares para investir até 2014. Desta forma terá muito mais navios, plataformas e estaleiros no país.

Inovações tecnológicas

O sistema de produção da P-57 está equipado com uma tecnologia inédita de coleta de dados sísmicos em 4 D, instalada permanentemente no leito marinho. Essa solução permitirá maior agilidade na obtenção de dados sísmicos, além de melhorar a qualidade de interpretação do reservatório, com a consequente otimização da produção. A unidade adotará, também, um método inovador para levar o petróleo do reservatório à plataforma, constituído por um sistema de bombeio centrífugo submerso submarino (BCSS) instalado em um compartimento especial no leito do mar, separado dos poços produtores. A vantagem será a redução de custos de intervenção para reparos do equipamento.

Desafios de engenharia

O contrato de engenharia, suprimento e construção da P-57 foi assinado em fevereiro de 2008 com a empresa Single Buoy Moorings Inc. (SBM). O casco da plataforma resultou da conversão do navio petroleiro Island Accord, no estaleiro Keppel Shipyard, em Cingapura, entre outubro de 2008 e março de 2010. Simultaneamente, foram construídos no Brasil os módulos de processamento de petróleo e gás no canteiro da UTC Engenharia, em Niterói (RJ), e no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis (RJ). O casco chegou ao estaleiro Brasfels em abril deste ano, onde foram concluídos a instalação dos módulos, a interligação de todos os sistemas e os testes finais da unidade.

A construção da P-57 alcançou índice de conteúdo nacional contratual de aproximadamente 68%. A estratégia de priorizar a aquisição de bens e serviços no parque industrial brasileiro, como forma de contribuir para o desenvolvimento e ampliação da indústria nacional, resultou na geração de mais de 2 mil empregos diretos no país.

Simplificação e eficiência

O conhecimento adquirido com a construção da P-57 servirá de modelo para os projetos das plataformas P-58, P-62, P-63, além dos “FPSOs replicantes” destinados ao pré-sal da Bacia de Santos (SP). A nova unidade teve seu projeto simplificado e seus equipamentos padronizados, seguindo os mais altos padrões de segurança operacional. Essa estratégia garantiu maior eficiência no gerenciamento do projeto, assim como o bom andamento das fases de suprimento, construção, montagem e testes. O resultado foi o rigoroso cumprimento dos prazos contratuais, a manutenção do custo inicial planejado e a garantia da qualidade exigida em contrato. Além disso, a nova estratégia resultou em uma plataforma mais leve e de manutenção mais simples. Um ganho expressivo, portanto, do ponto de vista econômico, gerencial e técnico.

Características técnicas da P-57

Localização: campo de Jubarte, no Espírito Santo, a 80 km do litoral

Profundidade de operação: até 1.260 metros

Capacidade de produção de petróleo: 180 mil barris por dia, óleo 17o API

Capacidade de compressão de gás: 2 milhões de metros cúbicos por dia

Comprimento: 312 m (equivalente a três campos de futebol)

Largura (boca): 56 m

Altura máxima: 105 m (equivalente a um prédio de cerca de 30 andares)

Acomodações: 110 pessoas

Peso Total: 54 mil toneladas

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