Preço do gás: respostas ao jornal Estado de SP

11 de outubro de 2010 / 15:24 Respostas à Imprensa Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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Leia a matéria “Petrobras pode reduzir o preço do gás natural” (versão on-line), publicada nesta segunda-feira (11/10) pelo jornal O Estado de São Paulo. Confira abaixo as respostas encaminhadas pela Companhia ao veículo no dia 01/10.

Pergunta 1) Porque o preço do gás natural é tão caro no Brasil? Fala-se em US$ 10,50 por milhão de BTU para o gás nacional, que seria o dobro da média internacional?

Resposta: Quando se comparam preços internacionais, deve-se atentar para as modalidades contratuais (firme, flexível etc) e para as bases de contratação, principalmente no que diz respeito ao prazo de suprimento, ao local de entrega de gás do fornecedor para o comprador e também ao volume comercializado. No Brasil, além dos contratos de longo-prazo, o gás nacional é comercializado também através de contratos de curto-prazo, por meio de leilões eletrônicos que a Petrobras promove desde março de 2009. O preço do gás de curto prazo no Brasil está atualmente em 4,72 USD/MMBTU. Nestes 18 meses o preço médio de venda em leilões foi de 4,85 USD/MMBTU, variando entre 4,58 e 5,18 USD/MMBTU, e o volume ofertado alcançou 22 milhões de m3/d. O preço médio total de venda de gás pela Petrobras (contratos de longo-prazo e de curto-prazo) foi, em setembro, aproximadamente 7,72 USD/MMBTU, ou seja, 26% abaixo do valor referido na pergunta (10,50 USD/MMBTU).

A margem média de distribuição no Brasil para o segmento industrial está em 4,9 USD/MMBTU (base setembro/2010). O preço do gás para o consumidor final é acrescido da margem praticada pela distribuidora local, que é aprovada pelas agências reguladoras estaduais, e dos impostos incidentes. Em média, o preço de venda da Petrobras representa cerca de 47% do preço final ao consumidor industrial.

Comentários relativos à pergunta 1:

- Comparação entre preços de GN no mundo, referência setembro/2010:

Contratos de Longo Prazo (vigência maior que 3 anos)

Alemanha: 9,27 USD/MMBTU; malha de transporte = 360 mil km; mercado = 225 milhões m3/d
Itália: 8,44 USD/MMBTU; malha de transporte = 263 mil km; mercado = 213 milhões m3/d
EUA:    5,80 USD/MMBTU; malha de transporte = 2,420 milhões km; mercado = 1 bilhão e 800 milhões m3/d
Brasil:    8,73 USD/MMBTU (nacional e boliviano ponderados por volume); malha de transporte = 28 mil km; mercado = 58 milhões m3/d
Fontes: PIRA, Gazprom Germânia, Autorità per L’Energia Elettrica e il Gás, EIA/DOE, Petrobras

Contratos de Curto Prazo

Henry Hub: 4,31 USD/MMBTU (referência de preços do mercado americano)
NBP:    6,70 USD/MMBTU (National Balance Point – referência de preços do mercado no Reino Unido)
Brasil: 4,72 USD/MMBTU (a média dos últimos 18 meses foi 4,85 USD/MMBTU)

Nota: Os preços nos comentários relativos à  pergunta 1  são no ponto de entrega (“city gate”) para as distribuidoras de gás, incluindo o transporte até o ponto de entrega, e não consideram os tributos incidentes. A extensão da malha de transporte inclui a rede de distribuição. Os dados de volumes de mercado estão na base 2008.

Pergunta 2) Porque a diferença entre preços do gás nacional e boliviano? Há críticas a respeito da distorção que provoca na atratividade de investimentos entre RJ e SP, por exemplo.

Resposta: O gás boliviano é precificado integralmente em Dólar enquanto que o gás nacional tem seu preço contratual definido em Real. Portanto, conjunturalmente, o preço dos contratos de longo-prazo do gás de origem nacional se encontra superior ao de origem boliviana, principalmente, em decorrência da apreciação do Real frente ao Dólar. Da mesma forma, já houve períodos em que o preço do gás nacional permaneceu abaixo do boliviano, como, recentemente, entre outubro/2008 e março/2009, já com a atual formulação de preços dos contratos com as distribuidoras, negociados em 2008. Cerca de dois terços do suprimento de gás para a região metropolitana de São Paulo é feito através de contrato de gás boliviano. As distribuidoras do Rio de Janeiro não possuem contratos de gás boliviano.

Pergunta 3) Há alguma chance de redução dos preços a curto ou médio prazo, diante do crescimento da oferta?

Resposta: Sim. O Plano de Negócios da Petrobras indica crescimento da oferta de gás nacional, baseado principalmente na produção de gás associado ao petróleo dos campos do Pré-Sal já concedidos. É preciso considerar também que novos agentes produtores estarão ofertando mais gás ao mercado brasileiro.  Na escala mundial temos a viabilização da produção de novas reservas de gás como, por exemplo, o gás “não-convencional” nos EUA com custos de produção inferiores aos do gás convencional. Isto, em se confirmando, impõe uma nova dinâmica de preços no mercado internacional. É neste contexto que os contratos de gás nacional com as distribuidoras que findam em 2012 serão renegociados a partir de 2011, com tendência de preços de longo-prazo inferiores aos atuais, seguindo a evolução destes cenários do mercado de gás. Além disso, os leilões de curto-prazo, que ofertam ao mercado volumes não consumidos pelas termelétricas, continuarão a ser uma oportunidade de compra de expressivos volumes de gás (22 milhões de m3/d foram ofertados no último leilão) a preços menores (atualmente 46% de redução em relação ao preço médio de longo-prazo).

Comentários relativos à pergunta 3:

- É tendência que os novos contratos de longo-prazo no Brasil não façam mais diferenciações de preço de gás por conta de sua origem. A malha de transporte de gás no Brasil está totalmente integrada desde a entrada em operação do Gasene em março de 2010.

Pergunta 4) A Petrobrás está importando mais GNL, enquanto mantém poços fechados no Brasil? Há poços de gás não associado fechados no Brasil este momento?

Resposta: Não há poços de gás fechados no Brasil neste momento. A produção nacional encontra-se em operação normal e terá incremento de 15 milhões m3/d em 2011 com a entrada em operação da produção da Bacia de Santos (Mexilhão, Uruguá-Tambaú e Tupi).

O aumento da importação de GNL visa atender ao despacho termelétrico que, em setembro de 2010, foi de 5.413 MW, 10 (dez) vezes maior que o mesmo mês de 2009 (509 MW). Os terminais de regaseificação de GNL estão operando próximo às suas capacidades máximas desde 16/08/2010.

Além disso, o volume de gás natural movimentado no país vem experimentando recordes de demanda neste segundo semestre de 2010, acima de 80 milhões m3/dia, como reflexo da atual conjuntura de atividade da indústria e do nível de consumo da população.

Em detalhe, durante o mês de setembro de 2010, o volume movimentado alcançou o recorde histórico de 83,7 milhões m³ em 15/09. Neste dia, o parque termelétrico a gás consumiu 32,3 milhões m³ e produziu 5.933 MW de energia.  As distribuidoras alcançaram o patamar de 41,6 milhões m3. Os terminais de GNL regaseificaram 18,7 milhões m3, a importação boliviana esteve em 28,8 milhões m3/d e a produção nacional entregue ao mercado foi de 36,3 milhões m3/d.

Comentários relativos à pergunta 4:

- O Brasil movimentou 60 milhões m3/dia em abril de 2008, antes dos efeitos da crise econômica mundial daquele ano, volume 25% menor que o verificado atualmente (80 milhões m3/dia).

- Hoje o País conta com uma infraestrutura de transporte de gás natural robusta, com 9.634 km de extensão e que interliga as regiões Sul, Sudeste, Centro-oeste e Nordeste do país e que conecta todas as áreas de produção de gás com o mercado consumidor. Foram 3.536 km de dutos concluídos nos últimos 3 anos. Além disso, os Terminais de Regaseificação de GNL propiciaram maior flexibilidade no atendimento à demanda, permitindo acomodar as elevadas flutuações de consumo decorrentes de ordens de despacho do parque termelétrico. O Brasil dispõe de 2 (dois) Terminais, Pecém-CE, com capacidade de 6 milhões m3/dia, e Baía de Guanabara-RJ, com capacidade de regaseificar 14 milhões m3/dia.

Pergunta 5) A Petrobrás já foi notificada dessa ação do MPF/SP sobre o tema?

Resposta: Sim. O Inquérito Civil Público nº: 433/2008 do MPF/SP foi iniciado em dezembro/2008 e desde então a Petrobras vem prestando os esclarecimentos solicitados, tendo participado da audiência pública realizada em São Paulo em 17/6/2010.

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