Uma viagem pela história náutica do Brasil

13 de outubro de 2010 / 17:13 Reportagens Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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Primeira fortaleza do país, o Forte de Santo Antônio da Barra, em Salvador, foi erguido pelos portugueses 34 anos após o descobrimento do Brasil. Popularmente conhecido como Farol da Barra, o local abriga, desde 1998, o Museu Náutico da Bahia. Patrocinado pela Petrobras, o espaço promove o resgate da tradição marítima nacional e sua importância na consolidação do Estado Brasileiro e no desenvolvimento sócio-econômico do país. O blog Fatos e Dados foi até lá conhecer um pouco desta história.

O Museu Náutico reúne um acervo de instrumentos utilizados na navegação, cartas náuticas, maquetes, miniaturas de embarcações, peças encontradas em navios naufragados na costa da Bahia, como selos e moedas, utensílios domésticos, armamentos, entre outros artigos. Muitas dos itens da coleção são oriundas da primeira pesquisa e resgate oficial de arqueologia submarina realizado no país, promovido na década de 70 no sítio arqueológico do Galeão Sacramento. A embarcação pertencente à Companhia Geral do Comércio do Brasil naufragou em 1668 na Baía de Todos o Santos. O material retirado do fundo do mar depois de mais três séculos submerso revela aspectos da vida cotidiana de nossos antepassados.

Foi no resgate do Sacramento que foram descobertos diversos utensílios domésticos da Faiança portuguesa, tipo de louça de barro cozido, vidrada e decorada. De acordo com os registros do museu, a Faiança foi a solução européia para a cara louça chinesa, tendo sido influenciada esteticamente por esta. Segundo a museóloga Rita Andrade, o museu tem hoje o maior acervo do Brasil de Faiança lusitana.

– Estamos estudando os desenhos e materiais das peças. Vamos ao DNA da peça. Temos aqui, por exemplo, um vaso decorativo (foto 9 da galeria), que está sendo montada com trabalho de observação, que é único no Brasil – explica Rita

Percorrendo as salas de exposição do espaço, o visitante encontra farto material relacionado à Hidrografia, Sinalização Náutica e Navegação na Bahia do Século XVII e XVIII, além da história da fortaleza e de registros da vida administrativa e cultural da cidade de Salvador da Bahia, primeira capital do Brasil e centro da sua economia nos três primeiros séculos de existência.

O Comandante da Marinha Reuben Bello Costa, nosso guia na visita, nos explica que, todo ano, por ocasião dos festejos da Trezena de Santo Antônio – tradição ainda forte na Bahia, que consiste na realização de 13 dias consecutivos de orações em homenagem ao santo, que foi o primeiro padroeiro de Salvador – é montado um altar temático para o protetor na Sala de Exposições Temporárias. O deste ano (foto 10 da galeria), de autoria do artista plástico Luís Tourinho, usa garrafas pet contrapondo a humildade do santo aos desperdícios da vida moderna, como o uso excessivo de plástico. Ao mesmo tempo, a instalação faz referência às garrafas usadas pelos náufragos para enviar pedidos de socorro.

Cultura Marítima – Outra seção do museu nos dá uma mostra da influência na civilização brasileira do estilo de vida desenvolvido em torno do mar. Através de referências e obras expostas, como a tela “Farol da Barra”, de Giuseppe Gianinni Pancetti; a fotografia “Chegada da procissão marítima à praia da Boa Viagem”, de Pierre Verger, o disco “Caymmi e o Mar” (1957), entre outras, o visitante tem um panorama da ligação do oceano com as principais formas de expressão cultural.

O Farol da Barra – Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o forte foi originalmente construído na “esquina do mar”, na entrada da Baía de Todos os Santos, como uma trincheira em terra socada e taipa. A fortificação foi edificada em pedra e cal no final do século XVI e equipada com três canhões. Sua forma atual, de uma estrela irregular com quatro faces reentrantes e seis salientes, data do final do século XVII. Em 1698, o forte ganhou o primeiro farol do continente americano. Instalado com o objetivo de orientar os navios que entravam na Baía, o Farol da Barra se tornou com o tempo um dos mais famosos cartões-postais do Estado. Na sala que mostra a evolução dos instrumentos náuticos, é possível ver uma réplica da lente do farol (foto 14 da galeria), que tem três metros de altura por 2 de diâmetro e emite dois lampejos brancos, cujo alcance é de 70 km, e um encarnado, com alcance de 63 km.

Todo ano, o Sr. Edgard Saldanha Malta (86 anos) bate ponto no Forte. Ele se orgulha de sempre levar os novos membros da família para conhecer o lugar cada vez que o visita. Acompanhado de esposa, filhos, irmã, netos e bisnetos (foto 13 da galeria), ele conta que foi convocado aos 18 anos como expedicionário do exército para a segunda guerra mundial, mas que no dia em que seu navio embarcaria, a guerra acabou.

– Aqui está a maior história do Brasil. É um espetáculo! – resume.

Serviço: O Forte de Santo Antônio da Barra é aberto a visitação de terça-feira a domingo, das 8h30 às 19h. Para marcar uma visita guiada o telefone de contato é (71) 3264-3296 / 3331-8039 ou e-mail educativo@museunauticodabahia.org.br

Endereço: Forte de Santo Antônio da Barra. Largo do Farol da Barra, Barra, Salvador – Bahia.‎

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