Além do arco- íris: carta para Miriam Leitão

29 de outubro de 2010 / 18:12 Esclarecimentos Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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Sra. Miriam Leitão,

Reduzir o sucesso exploratório de uma empresa brasileira, reconhecido mundialmente pela indústria petrolífera e por grandes especialistas do setor, e classificá-lo como “marketing”, como a senhora fez em seu artigo de hoje, “Além do arco-íris”, publicado em O Globo, é desconhecer fatos e dados.

Em números reais e concretos, a Petrobras produz hoje mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia no Brasil, níveis alcançados em 56 anos de existência. Para 2020, a companhia projeta produção diária quase três vezes maior, de 5,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Deste montante, 1.078 mil barris/dia virá somente do pré-sal já descoberto, sem levar em conta as áreas da cessão onerosa, nem outros projetos do novo marco regulatório. Portanto, escrever que o potencial de crescimento e as novas perspectivas abertas com o pré-sal é “marketing” é agredir os números e tentar desmentir perspectivas que as perfurações realizadas pela Petrobras nos últimos quatro anos já demonstraram como inteiramente concretas e factíveis .

Os campos de Tabuleiro de Martins (AL), Carmópolis (SE) e Badejo (RJ), citados na coluna, estão em situação inteiramente diferente da encontrada no “pré-sal”, não somente em termos de reservatórios, mas também em espessura da camada de sal, distância da costa, lâmina d’água e profundidade dos reservatórios. O campo de Badejo, especificamente, não apresenta reservatórios típicos do pré-sal. Confundí-los com o pré-sal das Bacias de Santos e Campos exibe desconhecimento das características geológicas dos reservatórios envolvidos na discussão.

Os poços perfurados no pré-sal – área de 149 mil quilômetros quadrados que se estende da costa do Espírito Santo à de Santa Catarina – tiveram resultados excelentes. Os números estão aí e são inquestionáveis. O primeiro sistema definitivo de produção instalado em Tupi irá processar 100 mil barris de óleo e até cinco milhões de metros cúbicos de gás por dia. Na indústria petrolífera, sabemos todos que circunstâncias técnicas e operacionais levam a que uma plataforma de petróleo recém instalada atinja seu pico de produção de forma gradativa. Nunca entra em operação produzindo em sua capacidade máxima.

A recente conclusão da perfuração do nono poço em Tupi confirmou, uma vez mais, o potencial de óleo leve e gás natural recuperável na área, estimado entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Este resultado comprova que a acumulação de petróleo não só se estende até o extremo sul da área do Plano de Avaliação de Tupi, como, também, que a espessura do reservatório com óleo chega a cerca de 130 metros, reduzindo mais ainda as incertezas a respeito do volume estimado de hidrocarbonetos contido na acumulação. Cabe ressaltar que essa área compreende as acumulações de Tupi e Iracema.

As informações de previsão de produção para a acumulação de Tupi contidas no relatório da empresa de consultoria Gaffney, Cline & Associates, contratada pela Agência Nacional do Petróleo para fins de avaliação das áreas da cessão onerosa, não incluíram a área de Iracema e foram baseadas em volumes que a Petrobras considera conservadores.

Os projetos conceituais de desenvolvimento da produção da acumulação de Tupi não contemplam a liberação do gás para a atmosfera. Ao contrário, apontam a reinjeção do gás produzido e a contínua e sistemática avaliação de novas tecnologias que possam adicionar-se àquele método. Além dos benefícios ao meio ambiente, a reinjeção aumenta a produtividade dos reservatórios, o que eleva a economicidade dos projetos de produção. É importante observar que estudos sobre existência de CO2 no pré-sal ainda estão em andamento e não há informações conclusivas. Alguns poços, inclusive, demonstraram concentrações próximas a zero.

No poço de Júpiter, o teor de CO2 encontrado está completamente fora dos padrões da área do pré-sal e por isso necessita de uma avaliação mais rigorosa. A Petrobras e seus parceiros no bloco planejam perfurar um poço, no primeiro semestre de 2011, especialmente projetado para nova amostragem dos hidrocarbonetos descobertos naquela área.

Sobre o campo de Roncador, esclareço que não há qualquer anormalidade em seu plano de desenvolvimento. Como acontece no mundo inteiro, o processo de exploração e produção de petróleo passa por diversas fases de avaliação e desenvolvimento, o que demanda dez ou mais anos a partir da descoberta. É uma prática do mercado que segue lógica pautada pela superação de restrições como características geológicas e geográficas; disponibilidade de soluções tecnológicas adequadas; existência de mercado e preço para os produtos; capacidade de investimento e gestão de riscos.

O desenvolvimento das jazidas gigantes de águas profundas e ultraprofundas da Bacia de Campos, descobertas ao longo das décadas de 80 e 90, seguiu esta lógica. Os projetos foram subdivididos em módulos de acordo com as restrições que apresentavam e de forma que os avanços do módulo anterior pudessem ser incorporados imediatamente ao desenvolvimento dos subsequentes. Assim foi planejado e feito desde o desenvolvimento do campo de Marlim, o mais raso dos gigantes de águas profundas e ultraprofundas, até os dias de hoje, com a implementação dos últimos módulos dos campos de Marlim Sul e Roncador, localizados em águas ainda mais profundas.

Devido à extensão de sua área e ao grande volume de petróleo existente, o desenvolvimento da produção de Roncador foi planejado para ocorrer em quatro módulos. O plano de desenvolvimento do poço segue o cronograma previsto. No momento, estão em operação os módulos 1 e 2, cuja produção teve início em novembro/dezembro de 2007, com as plataformas P-52, do tipo semi-submersível e P-54, do tipo FPSO. O módulo 3 iniciará a produção em 2013. O projeto do último módulo encontra-se atualmente em fase de construção, como previsto.

Sou obrigado a reafirmar que a Petrobras é líder na tecnologia de exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas e obteve vários avanços nesta área nos últimos anos. As descobertas realizadas pela Companhia na área do pré-sal são resultado de décadas de investimentos em pesquisa e tecnologia, de capacitação em recursos humanos, de formação de conhecimento avançado sobre geologia brasileira, da promoção do trabalho em equipe de nossas áreas técnicas e de uma política exploratória agressiva em nossas bacias sedimentares, intensificada nos últimos anos.

Estes são alguns dos atributos que justificam o fato da Petrobras ser uma das companhias mais admiradas e respeitadas pelos brasileiros, como a senhora reconhece.

Atenciosamente,

Guilherme Estrella
Diretor de Exploração e Produção

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