Queima de gás: resposta ao Estadão

22 de novembro de 2010 / 11:24 Respostas à Imprensa Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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Leia a matéria “País desperdiça com gás natural R$ 7,4 bi” (versão on-line), publicada nesta segunda-feira (22/11), no jornal O Estado de S. Paulo. Confira, abaixo, a resposta encaminhada pela Petrobras ao veículo após contato telefônico para obtenção de posicionamento da Companhia sobre o assunto.

Resposta: A Petrobras está ciente do movimento da ANP para restringir a queima de gás e vem trabalhando junto à agência para estabelecer metas plurianuas para redução dessa queima em suas concessões na Bacia de Campos, com a implantação de uma série de projetos visando a melhoria do aproveitamento desse combustível.

A Petrobras segue os limites de queima de gás estabelecidos pela ANP. Para os casos nos quais, devido a situações de emergência e para garantia de segurança, não há possibilidade de cumprimento dos limites acordados, a Petrobras segue os procedimentos definidos na Lei e Regulamentos, solicitando autorização extraordinária de queima, por motivo de força maior. Tais solicitações são analisadas pela Agência, e autorizadas sempre que se justificam tecnicamente.

É importante ressaltar que a queima do gás produzido junto com o petróleo é inerente ao processo de produção em todas as empresas operadoras do mundo. Em primeiro lugar, por questão de segurança: a chama-piloto das plataformas realiza a queima para evitar que o excesso de gás circule em ambiente impróprio e cause danos graves como incêndios, intoxicações ou explosões. A queima ocorre, também, por ocasião do início de operação de novas unidades de produção, até que elas sejam estabilizadas e termine a fase de testes de todos os sistemas.

Entre 1999 e 2008, período no qual a produção de petróleo e gás da Petrobras cresceu mais de 60%, passando de aproximadamente 1,3 milhão para 2,15 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boepd), o volume de gás queimado, em boepd, reduziu-se de 2,9% para 1,7% do total de petróleo por dia. Ou seja, a empresa diminuiu a queima de gás enquanto aumentava a produção de petróleo, com investimentos de cerca de US$ 400 milhões realizados no período com o objetivo de melhorar o aproveitamento de gás natural.

O aproveitamento do gás natural produzido pela Petrobras foi de aproximadamente 84% nos anos de 2007 e 2008, percentual acima da média mundial. Entre 1999 e 2008, a produção de gás associado da Petrobras cresceu cerca de 50%, enquanto o seu aproveitamento melhorou dez pontos percentuais, saltando da faixa de 75% para 85%, com uma redução na queima contínua na faixa de 3,5 milhões de m³/dia.

Atualmente, o Plano de Negócios da Petrobras prevê investimentos adicionais em projetos de redução de queima de gás na ordem de US$ 320 milhões, com objetivo de alcançar 92% de aproveitamento de gás até o final de 2012.

É importante frisar, também, que para o correto dimensionamento dos gasodutos e dos sistemas de produção das novas plataformas, é necessário realizar Testes de Longa Duração (TLDs), uma vez que as informações obtidas possibilitam determinar os materiais adequados para as características do fluido produzido e dimensionar corretamente os gasodutos e sistemas de produção.

Como em 2010 entraram em operação vários TLDs, descontando-se as queimas relativas aos testes do Pré-Sal de Tupi e Jubarte e de Tiro/Sidon, a Petrobras teria queimado de janeiro a maio de 2010 cerca de 5,6 milhões m³/d, o que representaria um aproveitamento de 87% da produção total de gás. Ou seja, desconsiderando os TLDs, que têm queima de gás presumida, o aproveitamento de gás da PETROBRAS, nos primeiros meses do ano é o maior registrado pela Companhia nos últimos 5 anos. É importante ressaltar, além disso, que a queima de gás total da Petrobras foi reduzida 7,1 milhões m³/d em maio/2010 para 5,8 milhões m³/d em junho/2010. Essa redução da queima é fruto das ações implementadas pela Companhia.

5 respostas para “Queima de gás: resposta ao Estadão”

  1. José Nelson Lourenço Cruz disse:

    A Petrobrás vai exercer a prospecção e retirada do gás em Santa Cruz (Bolívia), mas queima de maneira CRIMINOSA o gás extraído no Brasil! Por que não aproveitar o NOSSO gás para mudar a matriz energética dos veículos públicos de transporte?

  2. Danilo disse:

    Acredito que o problema seja a baixa demanda por gás natural no mercado brasileiro.

    Para manter e aumentar a produção de petróleo, é necessário produzir gás também. A queima se torna inevitável, a não ser que a companhia pare de produzir em alguns poços ou busque algum sistema de reinjeção.

    Por isso são louváveis as iniciativas de criar fábricas de fertilizantes e pólo gás-químico. Ainda que estejam sendo feitas tardiamente.

  3. Assis Pereira disse:

    A recomendação por organismos internacionais do percentual máximo de 4% para enquadramento do desperdício, ou subutilização do gás na indústria do petróleo, está diretamente relacionada a questão da necessidade técnica de existência de um sistema de alívio para preservação de níveis adequados de segurança nas instalações, caso contrário os requisitos levariam a denominada queima zero.

  4. Henrique Souza Fulco disse:

    Bom, acompanho de perto este tema e sei que sempre podemos melhorar o nosso desempenho, seja em qual atividade for. Mas tenho presenciado grande empenho da Petrobrás quanto à combater o desperdício de gás pela queima.
    Contudo é muito difícil uma empresa que produz petróleo e gás não queimar o gás, há uma questão de segurança industrial junto com está queima. O gás é o combustível que mais gera transtornos ao processo, pois em todas as etapas ele está associado a uma grande quantidade de energia, seja na forma de pressão ou até mesmo pela facilidade de combustão em atmosferas propícias. Com isso o sistema é fabricado para em casos de descontrole liberar está energia e consumi-lá a fim de evitar acidentes catastróficos.

  5. Assis Pereira disse:

    Há bastante tempo presenciamos a dificuldade ou imotivação da estatal na questão da queima do gás, apesar da pressão constante que tem feito os ambientalistas e agencia reguladora. A Petrobras deve investir mais nesse seguimento pela simples razão da produção do petróleo estar sempre associada ao gás na forma acumulada ou residual e assim encontrar o ponto de equilíbrio para gerenciamento desta questão. A Petrobras precisa continuar colaborando para o incremento da participação do gás na matriz energética e não abdicar do reforço no seu caixa com cifras bilionárias se evitasse a queima inconseqüente de 15 bilhões de metros cúbicos desse insumo entre janeiro de 2004 e agosto de 2010, conforme anunciado na matéria.
    A Petrobras no seu plano estratégico de 2010/2014 pode e deve desenvolver o pré-sal sem deixar de implementar as melhorias necessárias no aproveitamento do gás que hoje são queimado ou reinjetado numa taxa muito acima do que seria considerada ideal pelos especialistas nesta área. Constatamos que, na média, a Petrobras tem queimado ou reijetado 11% de toda produção nacional de gás natural, enquanto o ideal seria não ultrapassar os 4%, conforme dados do Banco Mundial.

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