Gás natural muda matriz energética da Região Norte

26 de novembro de 2010 / 18:59 Informes Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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A Petrobras iniciou, nesta sexta-feira (26), a geração de energia elétrica com gás natural na Região Norte, em cerimônia com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em Manaus (AM). As Usinas Termelétricas (UTEs) Tambaqui (95 MW), Jaraqui (76 MW) e Manauara (85 MW), localizadas em Manaus, integram o parque termelétrico da Petrobras e estão iniciando a operação com gás natural. A capacidade instalada dessas três usinas, para operar com gás natural, é de 256 MW.

Em seu discurso, o Presidente da República citou o esforço de engenharia da Petrobras empregado na construção do gasoduto Coari-Manaus e falou sobre a importância econômica e ambiental da inauguração das três usinas, que juntas vão gerar 19% da energia demandada por Manaus “É com muito orgulho que estou aqui inaugurando essas termelétricas que vão gerar energia de melhor qualidade, energia limpa. E que vai fomentar o desenvolvimento do Amazonas”, disse Lula. Ele parabenizou a Petrobras por tem conseguido após um ano de inauguração do gasoduto Coari-Manaus iniciar a geração a gás para a população do Amazonas.

Presente no evento, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, destacou os ganhos ambientais com a produção de energia mais limpa e falou sobre a atuação da Petrobras no Estado. Gabrielli informou que a Reman em breve aumentará sua capacidade de refino e anunciou a descoberta de petróleo leve e gás natural no município de Tefé (distante 630 km de Manaus), no Amazonas. “Com 46º API este é um óleo de altíssima qualidade, o que nos deixa muito satisfeitos”, disse. Gabrielli explicou que o Teste de Longa Duração (TLD) que encontrou petróleo deverá ser realizado pelo período de um ano.

As três usinas venceram o leilão realizado em 2004 pela Eletrobras – Amazonas Energia, concessionária de energia estadual e, no ano seguinte, assinaram contratos com essa distribuidora para fornecimento de 60 MWmédios de energia, cada uma, durante 20 anos, a partir de 2006, totalizando 180 MWmédios, volume suficiente para suprir até 19% da demanda média da capital amazonense.

“As três termelétricas concluem uma etapa significativa do ponto de vista econômico e ambiental. O Estado receberá royalties do gás natural que esta sendo consumido e o custo de geração será menor. Há também uma redução nas emissões gasosas de 33 toneladas por dia de oxido de carbono, oxido de hidrogênio e oxido de enxofre. Isso vai melhorar a qualidade de vida em Manaus”, disse o gerente executivo de Gás e Energia da Petrobras, Jose Alcides Santoro Martins, durante coletiva anterior ao evento, na quinta-feira (25), em Manaus (AM).

A execução das obras para adequar essas usinas termelétricas (UTEs) à operação com gás natural faz parte do processo de mudança da matriz energética da região Norte do País, com a substituição do óleo combustível e do diesel pelo gás natural na geração de energia elétrica. Os investimentos realizados na construção de duas novas plantas nas UTEs Tambaqui e Jaraqui e na conversão dos motogeradores da UTE Manauara, para operarem com gás natural, totalizaram R$ 267 milhões.

A operação com gás natural no parque termelétrico de Manaus foi viabilizada com a construção, pela Petrobras, do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, cuja capacidade atual é de 6,75 milhões de m³/dia, dos quais 5 milhões são destinados à geração termelétrica.

Características das usinas termelétricas da Petrobras no Amazonas

A UTE Tambaqui, localizada no Distrito Industrial II de Manaus, entrou em operação comercial com óleo combustível em janeiro de 2006 e, com gás natural, em 24/09/2010, sendo a primeira termelétrica a gerar energia elétrica com gás natural na Região Norte do País. A UTE Jaraqui, localizada no bairro Aparecida, em Manaus, iniciou a operação comercial com óleo combustível em abril de 2006 e, com gás natural, em 20/11/2010.

Para geração de energia elétrica com gás natural foi construída, em Tambaqui e Jaraqui, uma nova planta com 23 motogeradores em cada uma dessas usinas. A General Electric/Jenbacher forneceu os equipamentos e a Benco Energia S. A. construiu essas plantas. A UTE Tambaqui, além desses 23 motogeradores, conta ainda com um motor bicombustível (19 MW), para operação com gás natural. O investimento realizado na construção de cada planta foi de R$ 106 milhões com recursos próprios.

Para gerar energia elétrica em sua capacidade máxima, cada planta demandará 400 mil m³/dia de gás natural com eficiência energética de 39% – rendimento considerado excelente para motores do ciclo Otto que geram energia elétrica com gás natural.

A UTE Manauara, localizada no km 20 da rodovia estadual AM-10, em Manaus, entrou em operação comercial com óleo combustível em setembro de 2006, iniciou operação em teste com gás natural em 16/11/2010 e iniciará a operação comercial com esse energético em 15/12/2010.

Para gerar energia elétrica em sua capacidade máxima, essa UTE demandará 390 mil m³/dia de gás natural com eficiência energética de 40,2% – rendimento considerado excelente para motores de ciclo diesel que geram energia elétrica com gás natural. Sua capacidade de geração de energia elétrica é de 85 MW, gerando integralmente a partir do gás natural.

Ao contrário das UTEs Tambaqui e Jaraqui, na UTE Manauara não foi construída uma nova planta. Foram realizadas obras de conversão dos cinco motogeradores Wärtsila existentes, movidos a óleo combustível, para operar com gás natural.

O investimento realizado nessa obra foi de R$ 55 milhões com recursos provenientes do Programa de Financiamento do Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (FNO – Amazônia Sustentável) do Banco da Amazônia S.A (BASA).

As obras realizadas nas três UTEs, para operação com gás natural, geraram 600 empregos diretos e 900 indiretos, dos quais 80% ocupados por mão de obra local.

Ganhos econômicos e ambientais

A implantação desses projetos tem como objetivo atender a demanda energética na Região Amazônica, estimulando a instalação de indústrias, a geração de emprego e o desenvolvimento econômico regional, melhorando também a qualidade do ar na capital amazonense e em seu entorno.

Além disso, a substituição dos óleos combustível e diesel pelo gás natural na geração termelétrica resultará em importante ganho para todo o País. Dados preliminares mostram que, a partir de 2014, a economia, para os consumidores brasileiros, será de R$ 1,3 bilhão ao ano, uma vez que cessará a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), encargo do setor elétrico para cobrir os custos de geração termelétrica com óleo combustível e diesel nas regiões que ainda estão fora do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Os ganhos ambientais também são significativos. Com a construção das novas plantas nas UTEs Tambaqui e Jaraqui e a conversão dos motogeradores na UTE Manauara, para geração com gás natural, as emissões atmosféricas de óxidos de nitrogênio, carbono e enxofre cairão de 47 ton/dia para 14 ton/dia, uma redução de 70% (menos 33 toneladas/dia) em Manaus.

Além das três termelétricas nas quais a Petrobras tem participação no parque gerador de energia elétrica de Manaus, estão nesse programa de conversão para gás natural as termelétricas Mauá (110 MW), Aparecida (152 MW), Cristiano Rocha (85 MW) e Ponta Negra (85 MW) que, somadas às três primeiras, totalizam 688 MW de capacidade instalada.

Uma vez concluído o processo de conversão para gás natural de todas essas termelétricas, a participação dos óleos combustível e diesel na matriz elétrica de Manaus cairá de 87% para 39%. O gás natural, então, passará a contribuir com 48% dessa matriz, que tem 13% de sua geração de origem hidráulica.

As UTEs Tambaqui e Jaraqui pertencem à Breitener Energética S.A., sociedade formada pela Petrobras (65%) com as empresas Thermes Participações (24%), Enerconsult (5,5%) e Orteng (5,5%). A UTE Manauara pertence à Companhia Energética Manauara, sociedade constituída pela Petrobras (40%) com a Termelétrica Potiguar (60%).

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