29ª Bienal de São Paulo, na visão de Luiz Guilherme Vergara

10 de dezembro de 2010 / 15:05 Opinião Enviar por e-mail Enviar por e-mail Imprimir

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A Petrobras, como uma das patrocinadoras da 29ª Bienal de São Paulo, propôs a um grupo de pessoas ligadas à arte e à cultura que visitasse a mostra e relatasse suas impressões nas redes sociais. Agora, patrocinados pela Companhia que percorreram o mesmo caminho  registram, aqui, seus depoimentos.

O primeiro post é um relato do coordenador do Núcleo Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Luiz Guilherme Vergara. Confira:

Navegações e meditações sobre tempestades em um copo de mar

A partir de um instigante convite da Petrobras para registrar minha visita à 29ª Bienal de SP, dividi esta coleta de impressões entre as caminhadas pelo Parque Ibirapuera e os encontros com Almir Mavignier na sua exposição “Docugrafias”, no Museu Afro–Brasileiro, que também expõe no Espaço de Exposições Temporárias da Petrobrás.

Logo no primeiro texto de apresentação da proposta de experiência dessa Bienal eram celebrados os terreiros, largos, praças, templos e quintais – todos os lugares abertos ou fechados – onde se compartilham crenças, diversidades e infâncias. Do outro lado da parede de vidro estava o parque. Para um estrangeiro, como eu em São Paulo, o caminho pela marquise entre o Museu Afro–Brasileiro e a Bienal já realizava a utopia poética da bienal cruzando playgrounds de diversas tribos de jovens e ainda o seleto público da bienal, tudo com a mais natural simbiose. Este é o cenário de mares e muitos copos de homens navegando que alimentou o decorrer desses dias. Como concluir este texto, como voltar para “Ithaca”? A potência política da Bienal talvez esteja na crença no transbordamento poético que começa com um copo de mar – trocam–se as margens entre o lado de fora e o de dentro; confirma a regra da arte – querer ser exceção ou estado de vigília na negação da negatividade acomodada do mundo!

Picnic Arte e Árvore: deslocamentos

Nesta peregrinação revela–se uma curiosa cartografia de lugares, quem sabe laboratórios, de antecipação do futuro (lembro a Função Utópica da arte de Ernst Bloch) tudo se move pelo princípio esperança mesmo que haja tanto desencanto. Invocam–se terreiros, ainda sim, encontros, paradoxos e celebrações: “A pele do invisível”; “Dito, não dito, interdito”; “Eu sou a rua”; “O outro, o mesmo”; “Lembrança e esquecimento”; “Longe daqui, aqui mesmo.”

Caminhar na Bienal é percorrer uma grande poesia imaginária do infinito, compostas também por instalações ambientais de artistas que realmente concretizam visões daquilo que não é ainda completamente sabido. Albano Afonso: “O jardim, faço nele a volta ao infinito; Tatiana Trouvé: “350 pontos rumo ao infinito”; Claudio Iglesias: “um lugar para viver quando formos velhos”; Palle Nielsen: “ö modelo – um modelo para uma sociedade qualitativa”; David Claerbout: “Momento feliz em Argel”; Jimmie Durham: “Centro de Pesquisa da normalidade brasileira”; ou ainda a proposição ou meditações especiais de Milton Machado para uma “História do Futuro– Mundo Mais–que–Perfeito, ciclos de destruição, construção e vida”…

Veja os slides com a apresentação completa.

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