Gasoduto: respostas à Folha
9 de fevereiro de 2012 / 12:15 Respostas à Imprensa
Enviar por e-mail
Imprimir
Leia a matéria “Petrobras enterrou máquina de R$ 51 mi” (parte 1 e parte 2), publicada na edição de hoje (09/02) da Folha de São Paulo. Confira, abaixo, as respostas encaminhadas pela Companhia ao veículo.
Pergunta: Projetado para fazer escoar a produção de gás natural da bacia de Santos (campos de Mexilhão, Uruguá, Tambaú e no Piloto do Pré-Sal de Tupi), o gasoduto sofreu um atraso, que seria ainda maior caso fosse retirado do túnel a escavadeira (tuneladora). Para evitar supostos prejuízos da ordem de US$ 500 milhões (em somente seis meses de atraso), a Petrobras aceitou a proposta apresentada por seus diretores (aprovada por Graça Foster) de abandonar a tuneladora dentro do túnel. Dessa forma, o prejuízo seria de R$ 51 milhões.
Como o túnel possui somente uma embocadura, a tuneladora precisaria ser desmontada e percorrer o caminho de volta, algo que, supostamente, atrasaria o início do escoamento da produção (previsto para março de 2011), obrigando a Petrobras a importar gás e outras flexibilidades para cumprir os contratos com o setor elétrico (o gás abasteceria termelétricas). Ocorre que até a realização da última fase do túnel, não havia atrasos e tudo caminhava dentro do esperado. Na fase final, a que previa a construção dos túneis e poços que fariam a conexão com o planalto, tudo desandou.
Uma série de situações “inesperadas” (como a existência de formações geológicas não previstas no projeto) obrigou a Petrobras a conceder adiamentos do prazo, além de rever preços por meio de aditivos contratuais. Houve aplicações de multas, mas o atraso no pagamento pelo consórcio (liderado pela construtora Schahin) permitiu que os recursos obtidos por meio de aditivos contratuais fossem equivalentes ao valor da multa. Resultado: a tuneladora teve de ser importada e adquirida pela Petrobras, única forma de indenizar a italiana Ghella pela decisão unilateral da companhia em “enterrá-la” na Serra do Mar.
Por que essa tuneladora foi contratada sem licitação?
Resposta: A Tunnel Boring Machine (TBM ou tuneladora) não foi contratada sem licitação. O processo para a contratação dos serviços de escavação do túnel seguiu o rito previsto no decreto lei 2.745/98 para a modalidade de convite, tendo sido convidadas 16 empresas. Cinco empresas apresentaram propostas. A empresa Schahin apresentou a melhor proposta (menor preço), sendo declarada vencedora do certame. Para realizar os serviços de escavação do túnel no segmento onde deveria ser utilizado o método TBM, a contratada Schahin subcontratou a empresa Ghella, proprietária da tuneladora.
Pergunta: Por que a obra, antes dentro do cronograma, sofreu o atraso?
Resposta: A postergação na conclusão das obras do gasoduto GASTAU ocorreu em função da performance aquém da estimada na escavação do túnel pelo método TBM, ao longo de mais de 5 quilômetros.
Pergunta: O gasoduto entrou em operação após a data prevista. Os prejuízos antes previstos ocorreram? Que sentido fez, portanto, o abandono da tuneladora?
Resposta: O gasoduto GASTAU faz parte de um projeto integrado de produção, processamento e escoamento de gás natural da Bacia de Santos, dos campos de Mexilhão, Uruguá, Tambaú e Lula. O gasoduto foi concluído em março de 2011, em sincronia com os projetos de desenvolvimento da produção, graças à aquisição da tuneladora. Caso a decisão pela compra e abandono da tuneladora não tivesse sido tomada, a conclusão das obras do gasoduto sofreria um atraso de 104 dias e teria ocorrido somente ao fim do mês de junho de 2011, gerando uma perda prevista de mais de R$ 700 milhões à época, apurados somando a perspectiva de perda de produção de óleo e o diferencial de custo das alternativas para suprimento de gás ao mercado.
Pergunta: Além do fator “tuneladora”, que outros motivos levaram ao atraso, já que ele ocorreu mesmo com o abandono do equipamento?
Resposta: Após a decisão pela compra e abandono da TBM, não houve outro atraso no cronograma. O único fator que levou ao atraso na conclusão das obras do gasoduto foi a performance aquém do estimado para o processo de escavação do túnel pelo método TBM.
Pergunta: A Ghella tinha outra opção, além de aceitar o abandono da máquina?
Resposta: A Ghella era proprietária da TBM e negociou com a Petrobras a venda do equipamento em condições que atendiam aos interesses de ambas as empresas. Esta aquisição foi aprovada, em 01/12/2010, pela Diretoria Executiva da Petrobras.
Pergunta: Por que obras como essas são contratadas sob regime de sigilo?
Resposta: Não houve contratação sob regime de sigilo. Conforme mencionado na primeira resposta, o processo de contratação dos serviços de escavação do túnel seguiu o rito previsto no decreto lei 2.745/98 para a modalidade de convite.
Pergunta: Qual a situação atual de performance do gasoduto que, no final de 2011, deveria estar escoando um volume de quase 10 MM de metros cúbicos por dia de gás?
Resposta: Em dezembro de 2011, o gasoduto GASTAU atingiu um pico de movimentação de 9,3 milhões m³/dia. A média de gás transportado pelo gasoduto em dezembro foi de 7,4 milhões m³/dia.
Pergunta: A Receita Federal presenciou a destruição de peças da tuneladora que tinham similares nacionais?
Resposta: A Receita Federal presenciou a destruição das formas de aduelas de concreto da Tuneladora, uma vez que as mesmas não poderiam ser nacionalizadas, devido a existência de similar nacional. A responsabilidade sobre o processo de nacionalização da TBM, que envolve a destruição de peças com similares nacionais, foi de da empresa Ghella.
Pergunta: Como foi, exatamente, o controle que a Petrobras fez nessa obra?
Resposta: A empresa TAG -Transportadora Associada de Gás, empresa subsidiária integral da Petrobras e proprietária dos ativos do GASTAU, contratou a Engenharia da Petrobras para gerenciar e fiscalizar o empreendimento de construção do gasoduto e do túnel. A Engenharia manteve em tempo integral uma equipe no local de execução da obra dedicada a acompanhar a evolução dos trabalhos, com a realização de reuniões de avaliação diárias com as empresas contratadas.
Pergunta: A Schahin, responsável pela obra, foi multada, como previa o contrato?
Resposta: A empresa não foi multada. Os atrasos verificados foram decorrentes de condições de execução que não estavam previstas no escopo do contrato original, tais como: adequação à geologia do maciço rochoso e requisitos de licenças ambientais e condições para autorização de acesso.
Pergunta: Qual o valor das multas?
Resposta: Não foram aplicadas multas.
Pergunta: Por que, mesmo diante dos atrasos da construtora, a Petrobras fez tantos aditamentos ao contrato, sendo que alguns aprovaram a mudança do contrato?
Resposta: Obras com este grau de complexidade estão sujeitas a imprevistos. Particularmente, no caso do túnel do GASTAU, com 5.200 metros sob a Serra do Mar, as condições verificadas durante a execução requereram alterações na estratégia de implementação para garantir o sucesso da obra. Estas alterações levaram à necessidade de aditivos contratuais para execução de inspeções complementares na rocha, alterações de projeto para adequá-lo às condições do maciço rochoso e reprogramações em função de licenças e autorizações.
Pergunta: Evidentemente, essa pergunta será feita à Schahin, mas interessa saber quais os motivos apresentados pela empresa para os atrasos?
Resposta: Os motivos que foram apresentados e aceitos são aqueles relatados acima.
Pergunta: O abandono da tuneladora e os aditivos contratuais entram no cálculo da tarifa do gás?
Resposta: Não. Os preços do gás natural ao mercado são definidos por contratos de longo prazo celebrados entre a Petrobras e as distribuidoras de gás e indexados a uma cesta de óleos combustíveis internacionais.
3 respostas para “Gasoduto: respostas à Folha”
Deixe seu comentário
Prezado leitor,
Lembramos que não serão aceitos comentários que tenham conteúdo ou termos ofensivos, nem que sejam desassociados do tema do post. Dúvidas sobre temas diversos devem ser encaminhadas ao Fale Conosco do site.


12 de fevereiro de 2012 às 09:45
Por que não mandam uma pessoa melhor informada para fazer as perguntas?
Percebe-se claramente a total ignorancia sobre o assunto por parte de quem faz as perguntas.
Faço a minha parte, não compro e nem leio a fOLHA!
10 de fevereiro de 2012 às 11:46
PIG……Que absurdo! Vergonha nacional!
9 de fevereiro de 2012 às 20:49
A folha é especialista em Petrobras? De todas as perguntas e respostas o que vai pincelar para publicar?