Arquivado em 18.08.2012

Cinco peixes-boi retornarão à natureza no interior do Amazonas

18 de agosto de 2012 / 08:23

O projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), do Instituto Mamirauá, irá devolver à natureza neste sábado (18/08) cinco peixes-boi amazônicos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os cinco animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos, que o Instituto mantém com recursos do Programa Petrobras Ambiental. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.

Os bichos chegaram ao local com apenas alguns dias de vida e, hoje, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro pelos próprios pescadores. Os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do projeto.

No interior do Amazonas, ainda são comuns os registros de caça do peixe-boi, especialmente das fêmeas adultas, que são maiores que os machos e, portanto, alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza. Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado. Como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

“Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo”, diz a pesquisadora.

Com o patrocínio da Petrobras ao Projeto Aquavert, o Instituto Mamirauá adquiriu equipamentos de proteção individual para os tratadores dos peixes-boi, além de ter ampliado as instalações do Centro de Reabilitação. No final do ano passado, um novo curral foi construído. A ampliação permitiu que dois peixes-boi fossem transferidos de tanques plásticos para o curral, banhado pela água do lago Amanã, onde os animais têm mais espaço e profundidade para se locomover e se desenvolver.

A Petrobras também patrocina ações de educação ambiental que têm o peixe-boi como embaixador do meio-ambiente, realizadas pela equipe do projeto nas comunidades à beira do lago Amanã.

Histórico de exploração da espécie

De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século 17. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século 19 e meados do 20, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus e Belém, na Reserva Amanã. O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.

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