Produzido a partir da cana-de-açúcar, o etanol brasileiro sofreu, em 2011, com intempéries climáticas e problemas gerados pela baixa dos investimentos na renovação dos canaviais e tratamento das culturas. É o que explica o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rosseto, recém-eleito o segundo brasileiro mais influente do mundo no setor de bioenergia, em entrevista concedida à última edição da revista Isto é Dinheiro. Diante desse cenário, o executivo defende a criação de uma agenda para fortalecer a produção de etanol, com medidas de curto e médio prazo.
Outro ponto abordado por Rossetto é a oportunidade estratégica para o país de explorar energias renováveis. “O Brasil tem um segundo grande pré-sal. Ele é formado pelas energias renováveis, que precisam de um programa similar ao de exploração de petróleo”, afirma.
O presidente da subsidiária informa que o Plano de Negócios da Companhia prevê a produção de 5,6 bilhões de litros de etanol em 2015, que irá representar cerca de 12% de participação no mercado nacional, e que 70% dos aportes em etanol serão destinados à construção de novas usinas e destilarias, aumento da capacidade de moagem e renovação de canaviais.
O jornal Brasil Econômico da última terça-feira (06/12) publicou entrevista realizada com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo. Em “Gabrielli: ‘Está sobrando dinheiro no mundo” (versão online) , o presidente fala sobre riscos do plano de investimento da Companhia, possíveis dificuldades com fornecedores e metas de produção de 2011 a 2020.
Gabrielli também falou sobre conteúdo local e seus efeitos na produção e fez uma análise sobre o ritmo do consumo de petróleo no mundo e a volatilidade dos preços do produto.
A seção “À Mesa com o Valor” da revista Eu & Fim de Semana editada no jornal Valor Econômico da última sexta-feira (04/11) publicou entrevista realizada com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que, neste mês de novembro, irá se tornar o mais longevo à frente do cargo, de acordo com o veículo.
Em “A estatal aceitou o economista” (Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4), Gabrielli fala, entre outros assuntos, sobre sua trajetória profissional, política e pré-sal. Para o executivo, se a Companhia não existisse, a descoberta do pré-sal teria sido mais difícil para empresas estrangeiras, concorrentes entre si. ” Uma das vantagens da Petrobras foi a de ter conhecimento da área, acumulado em 57 anos de trabalho, um conjunto de informações geológicas, que seriam pulverizadas entre as empresas. Elas esconderiam o que soubessem e não trocariam informações com as concorrentes”, disse.
Veja também as imagens que ilustraram a entrevista: Fotos1, Fotos2 e Charge.
Recentemente eleito o executivo de petróleo do ano pela Energy Intelligence, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, concedeu entrevista à revista Carta Capital. Além do prêmio, que Gabrielli atribuiu ao “resultado de um longo e aplicado trabalho que vem sendo feito de forma bem-sucedida por grande números de competentes, aplicados e corajosos trabalhadores“, o executivo falou também sobre a Refinaria Abreu e Lima, tecnologia de biocombustíveis, cenário internacional e investimentos, entre outros temas.
Confira a entrevista, na íntegra, em “A crise está lá fora”, publicada pelo site da revista na última terça-feira (26/10).
A matéria “Já gritei com Dilma e ela comigo“, publicada hoje (06/09) na Folha de São Paulo, foi baseada numa entrevista de José Sergio Gabrielli de Azevedo ao site Bahia Notícias. Leia abaixo a íntegra da entrevista:
Repórter – O senhor está prestes a se tornar o executivo que ficou mais tempo à frente da Petrobras, mas, ao mesmo tempo, há rumores na imprensa e nos bastidores políticos – o mais recente deles credito à Revista Veja –, de que o senhor se movimenta para se manter no cargo…
José Sérgio Gabrielli – Eu tenho que dizer que a matéria da Veja é um absurdo, uma especulação absurdamente inverídica, completamente sem fatos, somente ilações irresponsáveis. Portanto, a matéria da Veja é uma coisa criminosa, do ponto de vista jornalístico. É isso que eu tenho para lhe responder.
Repórter – Qual a sua relação com o ex-ministro José Dirceu? É apenas de amizade?
Gabrielli - Eu sou amigo dele há 30 anos. Vou continuar encontrando com ele na hora que eu quiser e não tenho que dar satisfação nenhuma sobre isso.
Repórter – Por que José Dirceu ainda tem uma influência tão grande na política brasileira?
Gabrielli – Zé Dirceu é um grande líder do movimento popular brasileiro. Ele foi um dos importantes contribuintes para a formação do Partido dos Trabalhadores. É uma pessoa extremamente importante na articulação da relação do PT com outros partidos. Foi uma pessoa muito importante na eleição do presidente Lula. Foi presidente do partido por muitos anos. Então, ele é uma pessoa de uma liderança incontestável.
Repórter – Os nomes do senhor e do senador Walter Pinheiro são os dois que surgem com mais força para 2014, para disputar a sucessão de Jaques Wagner. Como seria essa negociação [para ver qual será o nome do PT]?
Gabrielli – Não, primeiro que eu acho muito cedo para começar essa discussão de sucessão do governador Jaques Wagner. O governador está iniciando seu segundo mandato, um governo de sucesso no primeiro mandato. Está fazendo um excelente trabalho. Nesse momento, a questão que se tem que discutir é a continuidade do governo do governador Jaques Wagner. Então, dar todo o apoio possível para as questões se desenvolverem. Então, discutir a sucessão de 2014 em 2011, quando não tem nem um ano de governo, é absurdamente fora de propósito.
Repórter – Ok. Mas me permita insistir um pouco no tema 2014… O governador acabou de dar uma entrevista em que diz que colocou o nome dele também à disposição para a sucessão da presidente Dilma, caso ela não queira ir para um segundo mandato. O que o senhor acha do nome dele para suceder a presidente Dilma?
Gabrielli – Olha, eu acho que a sucessão da presidente Dilma também é um processo que está muito longe. A presidente Dilma está no primeiro ano de governo. Oito meses de governo, ainda tem três anos e quatro meses. Então, discutir a sucessão da presidente Dilma nesse momento também parece completamente fora de propósito.
Repórter – Sempre se falou da sua relação conturbada com ela [Dilma]…
Gabrielli – Não há relação conturbada. Nós somos duas pessoas que temos um respeito mútuo muito grande, do tempo que ela era do Conselho de Administração da Petrobras. Nós, que tínhamos alguns pontos de divergência, alguns pontos de convergência, sempre nos respeitamos muito. Tivemos posições diferentes. Hoje, ela é presidente da República. Não tenho nem que discutir com ela. Eu tenho que seguir as orientações da presidente da República.
Repórter – Mas já houve discussões mais acaloradas com ela, não?
Gabrielli – Já houve discussões acaloradas. Não é verdade o que publicam, de que eu chorei. É absolutamente mentirosa essa informação, mas ela já gritou comigo e eu já gritei com ela, como duas pessoas bastante firmes nas suas opiniões. Agora, eu tenho uma enorme admiração pela presidenta Dilma e eu acredito que ela também tenha [por mim].
Repórter – Mas chegou a ser falar em Maria das Graças Foster, para substituir o senhor [no comando da Petrobras]…
Gabrielli – É a nossa Diretora de Gás e Energia. É uma excelente diretora, faz um excelente trabalho na área de Gás e Energia, teria todas as condições de me suceder. Mas, nesse momento, a diretoria da Petrobras está muito unida, fazendo um trabalho enorme porque nós temos um plano de investimento gigantesco para implementar, com enormes impactos na produção de petróleo e gás no país, no mundo, na indústria brasileira e no desenvolvimento brasileiro. Então, nós todos da diretoria estamos muito unidos neste propósito.
Repórter – Quanto à divisão dos royalties do pré-sal, o senhor está do lado dos estados produtores ou dos demais?
Gabrielli – Do ponto de vista da Petrobras, é indiferente a divisão dos royalties, porque ela pagará os royalties de qualquer maneira. A distribuição dos royalties é um problema mais federativo, de discussão entre os diversos estados sobre isso. Se você perguntar a posição do presidente da Petrobras, ele é neutro em relação a isso. O cidadão José Sérgio Gabrielli, no entanto, acha que a distribuição atual não é justa, porque ela concentra demasiadamente royalties de participações em alguns estados. Mas, tampouco a Emenda Ibsen é justa, porque também não é correto dividir igualmente a distribuição de royalties para todos os estados. Os estados chamados produtores, mas, tecnicamente, confrontantes das áreas produtoras devem receber mais. Então, eu acho que o equilíbrio vai ser alcançado no Congresso Nacional.
Repórter – Há estudos na Bahia para se descobrir petróleo no pré-sal?
Gabrielli – Nós temos um enorme investimento para descobrir o petróleo no mar. Nós temos a maior parte de investimentos em exploração, na Bahia, em perfuração de poços no mar, em alta profundidade. Encontrar ou não o pré-sal é um problema que não depende só de nós. A decisão foi tomada há 120 milhões de anos.
Repórter – Alguns especialistas dizem que o desenvolvimento do país a partir do pré-sal pode estar comprometido pela falta de planejamento do governo e das empresas fornecedoras. Como a Petrobras pode contribuir para resolver isso?
Gabrielli – Eu não concordo de jeito nenhum com essa história de que falta planejamento do governo e por isso vai ter problema com o pré-sal e com o desenvolvimento do petróleo. Não é isso. O problema todo é que nosso programa de desenvolvimento é muito grande. Nós estamos propondo um crescimento em que sairemos de uma produção no Brasil de dois milhões de barris para 3,9 milhões em 2015 e para 4,9 milhões de barris em 2020. Portanto, nós vamos mais do que dobrar a nossa capacidade de produção hoje em 10 anos. O que fizemos em 57 anos iremos superar em 10 anos. Isso, evidentemente, que só tem sentido do ponto de vista social e do ponto de vista de impactos no Brasil, se a indústria crescer. Então, nós estamos em um esforço muito grande para estimular a criação de estaleiros, de fábricas de motores, de âncoras, de válvulas, tubulações, aços especiais, instrumentos de medição, de juntas e de garantias de fluxos. Então, esse conjunto de investimentos que será feito pelos investidores e empresários da cadeia produtiva, que está em andamento. Na medida em que isso crescer, a possibilidade de atender nossa demanda é muito grande. Só para dar um exemplo: nós temos hoje 287 barcos e navios. Vamos precisar de 568. Queremos que a maior parte desses navios seja feita no Brasil. Tem que construir estaleiro, se não, não pode fazer.
Repórter – Pernambuco tem um grande estaleiro, não é? A Bahia ficou para trás…
Gabrielli – Não é que a Bahia ficou para trás. A Bahia tem uma grande refinaria. A segunda maior refinaria do Brasil fica na Bahia. O polo petroquímico maior do Brasil, até recentemente, era na Bahia. A produção em terra na Bahia se mantém relativamente estável já há 20 anos. Você tem uma situação de que vai ficar na Bahia um terminal de regaseificação, que vai injetar na rede brasileira metade do gás que a gente traz da Bolívia, 14 milhões de m³ por dia. A Bahia tem o maior plano de biodiesel. A Bahia tem 47 municípios que fazem parte do Gasene, que têm capacidade de processar e de transportar 20 milhões de m³ por dia. Então, o estaleiro Atlântico Sul saiu na frente, sem dúvida nenhuma. A Bahia está concorrendo na licitação das sondas, que está em andamento. Pode ganhar ou pode não ganhar o estaleiro da Bahia, mas está concorrendo.
Repórter – A Petrobras apresenta hoje [segunda-feira, dia 29] o Plano de Investimento até 2015. Quanto será investido na Bahia nos próximos anos?
Gabrielli – Serão 9,8 bilhões de dólares da Petrobras na Bahia, nos próximos cinco anos. Investiremos principalmente na busca do petróleo, depois, na melhoria da qualidade do diesel e da gasolina, reduzindo a quantidade de enxofre no diesel e na gasolina. Nós vamos aumentar o investimento na área de biocombustíveis, de logística, de distribuição. Mas é principalmente investimento na área de exploração de petróleo.
Repórter – Em que áreas são na Bahia?
Gabrielli – Na Costa da Bahia, particularmente, na Bacia do Jequitinhonha. Na frente de Una… Naquela região ali.
Repórter – Como é que se resolve a questão do preço de combustível? Agora, praticamente metade da frota de carros já usa etanol, que depende muito da sazonalidade da produção. Às vezes o preço sobe muito e cai de uma hora para outra. Nesse cenário, como resolver essa questão?
Gabrielli – É bom lembrar que a nossa gasolina é uma mistura. Para cada litro de gasolina tem 250 ml de álcool. Não tem gasolina pura no Brasil. A única gasolina pura que existe é a que sai da refinaria. Então, ela sai da refinaria a R$ 1,05, por litro. Aí, em cima desse um R$ 1,05 você vai misturar o álcool, vai pagar o ICMS dos estados, vai pagar os impostos para o governo federal; vai ter a margem dos distribuidores, que são mais de 250 no Brasil. A BR tem pouco mais de um terço do mercado. Vai chegar ao posto de gasolina a R$ 2,80. Já o álcool, no Brasil, tem dois problemas. Recentemente, os planos de expansão da plantação de cana pararam por conta da crise internacional de 2008/2009. Então, não houve novas plantações de cana significativas em 2008/2009. A taxa de cana 2009/2010 foi muito baixa. Então, houve redução da quantidade de cana para processar e fazer álcool e açúcar. Por outro lado, essa questão emblemática no Brasil, foi simultânea à questão climática na Índia, que é o maior produtor do mundo de açúcar. Então o preço do açúcar subiu em relação ao álcool. O produtor tinha menos cana para produzir álcool e açúcar e estava estimulado a produzir mais açúcar do que álcool, então, houve uma redução muito maior na oferta de álcool, os preços do álcool subiram. E aí, a demanda de gasolina C, misturada com álcool, aumentou 19% em 2010. Na medida em que aumentou 19% da demanda de álcool e gasolina, também aumentou a demanda de álcool anidro, diferente do álcool hidratado. Então, isso reforçou ainda mais a subida do preço do álcool. O problema é essencialmente de oferta.
Repórter – Qual a solução para isso?
Gabrielli – Aumentar a plantação de cana. E é o que está acontecendo. Nós vamos sair de 5,6% da produção de álcool total que a Petrobras produz para 12%. Vamos investir 1,9 bilhão de dólares para aumentar a capacidade de produção de álcool. Mas isso leva tempo. A gravidez da produção de álcool é longa, dois a três anos, a gente não colhe cana em um dia. Vamos conviver no país com a questão da volatilidade do preço do álcool. A gasolina tem uma volatilidade menor no Brasil, porque nós, como produtores, resolvemos manter uma política nos últimos oito anos que relaciona o preço da gasolina ao preço da gasolina internacional, que nós não podemos descolar. Mas só no longo prazo. A gente não passa para o Brasil as variações diárias que têm lá. Então, consequentemente, nós vamos viver no futuro, em uma situação de preço da gasolina mais estável, variando menos. O preço do álcool variando mais, mas temos que acompanhar o preço internacional.
Repórter – O senhor falou em aumento da área de plantio. Existem questões ambientais por trás disso…
Gabrielli – Não. Nós estamos falando em aumentar a área de plantio na área de Goiás, na área de São Paulo e Minas Gerais, que já são áreas já dedicadas, mapeadas e, ecologicamente, definidas como áreas onde se pode ter plantação de cana.
Repórter – Na Bahia não?
Gabrielli – Na Bahia, nesse momento, nós não temos esse projeto.
A gerente geral de Eficiência Energética e Emissões Atmosféricas da Petrobras, Beatriz Espinosa, concedeu entrevista ao jornal Valor Econômico sobre os projetos e os investimentos da Companhia para controlar as emissões de CO2 na atmosfera. Entre outros assuntos, Beatriz mencionou as metas voluntárias, o Programa Tecnológico de Mudanças Climáticas e ações específicas em plataformas e termelétricas. Leia a transcrição da entrevista:
Repórter: Como a Petrobras mede suas emissões?
Beatriz: Tudo parte de um sistema de informação que temos na Petrobras, implementado desde 2002. Esse sistema se chama SIGEA – Sistema de Gestão de Emissões Atmosféricas. É um sistema que faz o inventário de emissões da Petrobras e contabiliza mais de 30 mil fontes de emissões nas operações da Companhia.
Repórter: Quais são essas fontes?
Beatriz: São máquinas, fornos, caldeiras, flare. Todas as possibilidades de emissões são inventariadas. Atualmente, a Petrobras já inventaria também a parte de transporte das operações da Companhia.
Repórter: Ano passado as emissões chegaram a 61 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Em 2009 foram 57. O que é essa medida?
Beatriz: São os gases de efeito estufa: CO2, Metano, N2O. Todos eles são convertidos em uma única unidade chamada de CO2 equivalente. Isso é um protocolo internacional. O inventário da Petrobras obedece ao GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol ou Protocolo de Gases de Efeito Estufa) que é um protocolo internacional de medição e de inventário de emissões. O inventário da Petrobras, além de obedecer ao GHG Protocol e a outras normas internacionais, também é auditado por terceira parte. Isso permite que a Petrobras conheça bem as suas emissões, por área de negócios, pelas refinarias, pela produção e exploração.
Repórter: Qual é a que emite mais?
Beatriz: As operações de exploração e produção e de refino. Ambas são as atividades da Petrobras mais emissoras pelo porte. A Petrobras tem 16 refinarias, 132 plataformas, então, o porte das atividades da Companhia no E&P e no refino, faz com que sejam as maiores emissoras. A Petrobras tem também a emissão de térmicas, a emissão da área internacional, a emissão do transporte, tem emissão de fertilizantes, petroquímica, apenas contabilizando o que é operado pela Petrobras. Sessenta e um (61) é tudo, toda atividade da Petrobras, Brasil e internacional.
Repórter: Diz aqui que a Petrobras tem carteira de projetos, período 2010-2015, que receberá 1,2. O que são esses projetos?
Beatriz: Desse US$ 1,2 bilhão, US$ 200 milhões são para P&D. São projetos de pesquisa e desenvolvimento, relacionados à mitigação de mudanças climáticas. A Petrobras tem muitos investimentos no desenvolvimento da tecnologia de captura e armazenamento de carbono, por meio de uma rede, que só no Brasil, tem 12 universidades envolvidas. É a Rede Temática de Mudança do Clima e Captura e Armazenamento de CO2. É uma tecnologia que o mundo todo está estudando e a Petrobras acompanha todo esse desenvolvimento tecnológico e investe também em capacitação de universidades brasileiras para estudar e viabilizar, cada vez mais, essa tecnologia.
Repórter: O que se desenvolve nessa área? Como é que se captura e armazena?
Beatriz: A indústria de petróleo já faz há muitos anos e, a Petrobras, o faz, desde 1987, nos campos terrestres na Bahia, a injeção de CO2 como uma técnica de recuperação avançada do petróleo. Uma etapa dessa tecnologia de captura e armazenamento de CO2 já é de domínio tecnológico. O que a Petrobras está, cada vez mais, aprofundando e detalhando é como monitorar o armazenamento desse CO2, como ele fica armazenado no próprio reservatório. Como outras alternativas, existe o armazenamento em aquíferos salinos profundos, que é uma outra forma de injetá-lo, mantê-lo armazenado, não se transformando em emissões para a atmosfera.
Repórter: Colocar em áreas de gás exauridas?
Beatriz: Também e em campos depletados. Também é uma alternativa de armazenamento. Falamos dos US$ 200 milhões relacionados a P&D e os demais investimentos são de melhoria de eficiência energética nas refinarias, são investimentos também relacionados à redução de queima de tocha nas plataformas. Há vários investimentos para implantação de compressores, gasodutos, mudanças nos processos para aproveitar o gás, para evitar que ele seja queimado.
Repórter: Qual é esse gás que sai?
Beatriz: É o gás associado ao petróleo. Se a Petrobras não tiver como escoá-lo, a Companhia tem que queimá-lo. Os investimentos que estão naqueles US$ 1,2 bilhão são ações de melhoria de processos para evitar que o gás seja queimado. Desse US$ 1,2 bilhão tem também o fechamento do ciclo de termoelétricas, tornando-as muito mais eficientes energeticamente. No fechamento de ciclo é aumentada a eficiência de 30 para 60% e produz mais energia.
Repórter: Adoção de tecnologia de ciclo combinado.
Beatriz: São investimentos para a conversão de algumas térmicas, de ciclo simples para ciclo combinado. Aproveitamento do gás exausto de turbinas a gás para produção de mais energia e aumento de eficiência global.
Repórter: Quando começou esse programa?
Beatriz: Desde 2005, a Petrobras já adota objetivos voluntários para a questão da mudança do clima. A Companhia, antes, tinha indicadores que eram de emissões evitadas. Em 2010, a Petrobras resolveu dar um passo a mais, estabelecendo esses indicadores de intensidade. É uma forma mais rigorosa de atuar junto às unidades operacionais. Com isso, a Petrobras deseja demonstrar que está sendo, cada vez mais, eficiente. Desde 2002, a Petrobras tem inventário de emissões. A Companhia, como toda empresa brasileira que está crescendo, vai aumentar suas emissões e, ao Brasil é permitido o aumento de emissões pelos protocolos internacionais. A Companhia está com um plano de crescimento, o que vai fazer com que as emissões aumentem. A intenção é demonstrar que a emissão relativa vai diminuir. A Petrobras vai produzir mais, emitindo menos. Esse é o conceito dos indicadores de intensidade. É como se cada barril novo adicionado ao mercado, a esse barril corresponde uma energia menor para produzi-lo. Isso é que é intensidade energética, eficiência energética. É emissão por barril produzido ou por carga processada nas refinarias. Por isso, não é um único indicador. É um indicador para cada atividade.
Repórter: Carga processada é em que negócio?
Beatriz: Refino. O refino é relativizado por carga, nas térmicas é relativizado por energia produzida e no E&P é relativizado por produção de petróleo e gás.
Repórter: Falamos de todos os projetos?
Beatriz: Dos US$ 1,2 bilhão, ainda tem um montante que é menor, US$ 11 milhões que é para a área internacional, para a melhoria nas instalações internacionais, e também na frota, com novos navios com maior eficiência energética. O mais importante é que todos os novos projetos da Petrobras também obedecem a novas premissas de eficiência energética, o que faz com que a Petrobras cresça com maior eficiência energética. É uma oportunidade, com o crescimento projetado, as novas instalações já virão com maior eficiência energética, o que vai contribuir para a evolução dos indicadores em ser positiva.
Repórter: De acordo com as metas, quanto consegue se projetar para 2015?
Beatriz: Hoje é 61 milhões de toneladas de CO2 equivalente. A Petrobras usa o exercício de projeção para estimar, mas a Companhia não publica, porque é uma questão muito dinâmica. A cada ano, o Plano de Negócios pode variar. O inventário permite que a Petrobras faça exercícios de projeção. Por isso, a Petrobras que assumir o compromisso em termos de intensidade, para mostra que a Companhia está cada vez melhor. O conceito que a Petrobras trabalha é como o do Brasil. O Brasil estabeleceu metas de redução da projeção. Na Política Nacional de Mudança do Clima, o Brasil estabelece uma redução da projeção das suas emissões. A Petrobras faz a mesma coisa, um exercício de projeção e implementa projetos para reduzir a taxa de crescimento das emissões.
Repórter: Qual é o conceito de intensidade?
Beatriz: Emissões relativizadas por produção, por carga processada ou por energia produzida.
Repórter: E a intensidade energética?
Beatriz: É o consumo de energia por carga processada ou por produto ou por produção, em termos de barris. Reduzir a intensidade é reduzir o consumo relativizado pela produção. É o conceito de eco eficiência.
Repórter: Núcleo experimental de tecnologia de separação CO2 campo terrestre de Miranga.
Beatriz: Esses US$ 200 milhões de P&D envolvem uma série de testes e de pilotos, algumas unidades de demonstração. Miranga é um campo terrestre no recôncavo baiano, que a Petrobras já faz a injeção de CO2 desde 1987, utilizando como técnica de recuperação de petróleo. A Petrobras está instrumentalizando o campo de Miranga para fazer estudos dessa injeção, para monitorar o CO2 injetado, para testar armazenamento do CO2 em aquíferos salinos profundos. Miranga vai ser utilizado como um núcleo de pesquisa para todo o aprendizado ser aplicado, no futuro, na produção do pólo pré-sal.
Repórter: SIGEA – Sistema de Gestão de Emissões Atmosféricas é aquele que mede. Tem também as fontes de energia renováveis que vocês citam biocombustíveis.
Beatriz: Para mitigação de mudança do clima, o mundo todo está voltado para eficiência energética, renováveis, biocombustíveis, além da tecnologia de captura e armazenamento de carbono. E também para nuclear, que não é da nossa área. Dentre o leque de opções para mitigação da mudança do clima, renováveis tem uma importância muito grande.
Repórter: Renováveis e biocombustível são a mesma coisa, certo?
Beatriz: Biocombustível é uma fonte de energia renovável. O foco da Petrobras em renováveis é em biocombustível. Os grandes investimentos, de US$ 3.5 bilhões, no período de 2010-2014, são para aumento da produção de etanol e biodiesel. E também logística de transporte de etanol e pesquisa e desenvolvimento em biocombustíveis. Deste montante, em torno de US$ 500 milhões são para P&D em biocombustíveis. É o biocombustível de segunda geração, por exemplo, o etanol celulósico, que o mundo inteiro está estudando. A Petrobras tem uma série de investimentos e projetos em pesquisa e desenvolvimento para produção de biocombustíveis de segunda geração. É uma demonstração de compromisso com a questão climática também.
Repórter: Geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis…
Beatriz: Tem também outras iniciativas como a eólica. Há uma planta em Macau, no Rio Grande do Norte, que, inclusive, foi o primeiro projeto de MDL da Petrobras, que é um mecanismo de desenvolvimento limpo, certificado pela ONU. E há prosseguimento com outras eólicas aprovadas em leilão. Há também várias aplicações de painéis solares nas instalações da companhia, para otimização energética. Sempre que há oportunidade, utilizam-se renováveis na matriz interna de consumo. Porém, o foco da Petrobras é biocombustível.
Repórter: Estímulo ao uso racional de combustíveis no Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e Gás Natural.
Beatriz: A Petrobras, por um decreto presidencial, desde os anos 90, é responsável pelo suporte técnico, financeiro e administrativo do Programa Nacional de Racionalização do Uso de Combustíveis, que é denominado CONPET. É um programa nacional, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, que tem várias linhas. Por exemplo, há o CONPET no transporte, onde há uma série de iniciativas relacionadas à melhoria do uso de combustível para frota de veículos pesados, como medição dos gases de combustão para que os motores sejam regulados, melhorando a eficiência energética.
Repórter: Quem regula?
Beatriz: Há parceria com diversos sindicatos, cooperativas de ônibus e caminhões para permitir que isto seja feito periodicamente. Nas inspeções a medição é feita com o opacímetro, que indica a regulagem do motor, levando ao ajuste do consumo de diesel, por exemplo.
Repórter: Mas quem faz isso?
Beatriz: São postos avançados. Normalmente é feito através de sindicatos e cooperativas. Instruímos e oferecemos o opacímetro. Algumas refinarias também já estão equipadas com esta metodologia. A economia de diesel estimada é bastante relevante.
Repórter: A Petrobras incorpora ao seu planejamento análise dos impactos potenciais da mudança do clima nos seus negócios. Com base em cenários corporativos elaborados com foco em 2030, a empresa prevê macrotendências. O que são esses cenários apontados?
Beatriz: No seu plano estratégico, a Petrobras faz e atualiza periodicamente a leitura de cenários. A grande mudança, iniciada há cerca de três anos, foi a incorporação do eixo da sustentabilidade nestes cenários. É como se fossem traçados quatro possíveis mundos futuros, que obedecem à lógica de dois eixos: um econômico e outro de sustentabilidade. São observadas as tendências de uma economia mais coordenada ou de um crescimento descoordenado. E as políticas para um mundo mais sustentável ou menos sustentável.
Repórter: Quais são as tendências?
Beatriz: São analisadas as negociações internacionais, como as que tratam sobre o clima, por exemplo. Os acordos internacionais são monitorados anualmente. Tudo isso é feito porque as estratégias devem ser robustas para que se possa atuar em qualquer possibilidade de evolução de cenários. A questão climática tem uma dimensão importante nesta análise.
Repórter: No programa de P&D são destacados dois pontos: Proclima e PRO-CO2.
Beatriz: No centro de pesquisa temos várias iniciativas. Há uma linha formada pelos programas tecnológicos, o Proclima e o PRO-CO2.. O Proclima existe desde 2007 e seleciona pesquisas de longo prazo, onde se observa linhas de eficiência energética, de captura e armazenamento de CO2, assim como adaptações a mudanças climáticas. No PRO-CO2 se estuda todas as soluções para gestão do CO2 no pólo pré-sal.
Repórter: Qual é o valor de um desses projetos?
Beatriz: A faixa de US$ 200 milhões, de 2010 a 2015, é para os dois projetos.
Repórter: Dentro destes programas há as redes temáticas?
Beatriz: Sim. De 2006 a 2009, as redes temáticas consumiram cerca de US$ 30 milhões. Foi aportado dinheiro para logística e infraestrutura de alguns laboratórios, no Brasil. São doze universidades no Brasil.
Repórter: São quantas redes temáticas?
Beatriz: São 50. Uma dessas 50 é a rede temática de mudança do clima, com foco em captura e armazenamento de carbono. Essa rede tem doze universidades. Algumas estudam tecnologias de captura, outras tecnologias para armazenamento, monitoramento, impactos, vulnerabilidades e adaptações às mudanças do clima, além de novas tecnologias de aproveitamento do CO2. Através da verba de pesquisa foi feita uma capacitação nas universidades brasileiras para se estudar tecnologias para aplicação futura.
Repórter: Dados dizem que em 2010 houve um acréscimo de 18,6% no consumo total de energia da empresa.
Beatriz: Assim como as emissões, o consumo de energia também vai aumentar. Foi escolhido o indicador de intensidade para demonstrar que a companhia está crescendo com eficiência. Produzindo mais com menos energia. Aumenta a energia, mas não na mesma razão do aumento de produção.
Repórter: Em 2010, a imprensa informou que os índices de dióxido de carbono nos poços do pré-sal seriam maiores que a média, implicando em maiores emissões. A Petrobras disse que realizou testes, tendo como resultados emissões maiores em alguns poços e, em outros, nula. Qual é a perspectiva para o pré-sal?
Beatriz: No pré-sal já foram identificados alguns poços com teores mais elevados do que a média da Bacia de Campos, teores acima de 3%. Ainda estamos estudando a dimensão do pré-sal, fazendo testes de longa duração para conhecer as características do petróleo e do gás presentes. Temos alguns campos em que a concentração de CO2 é maior e alguns campos com concentração menor. Isto é inerente à fase exploratória atual no desenvolvimento do pólo pré-sal. O que ficou decidido junto aos parceiros é que todo o CO2 que vier associado ao gás será reinjetado, quando em concentrações acima da média. Esta reinjeção de CO2 já é feita no campo de Lula. Todas as premissas para os novos projetos do pólo do pré-sal envolvem uma quantidade enorme de estudos sendo feitos e escolhas de tecnologias para a reinjeção do CO2 associado, em função destes níveis de teores acima da média.
Repórter: De tudo que foi falado, qual foi o fator novo? É a primeira vez que a Petrobras reserva este valor, de US$ 1,2 bilhão?
Beatriz: É a primeira vez que se declara e adota indicadores de intensidade. É um compromisso voluntário da companhia.
Repórter: Até 2009 não havia este orçamento?
Beatriz: Não nesta dimensão.
Repórter: Este orçamento é anual?
Beatriz: Não, é por período, 2010-2015. Então, a novidade é essa, um caminho para a transparência.
Repórter: A primeira vez que isto foi anunciado, foi no Relatório de Sustentabilidade?
Beatriz: Sim. Esse compromisso e esses investimentos, a pesquisa nessas novas tecnologias de captura e armazenamento de carbono são novidades. Isso coloca a Petrobras na vanguarda do mundo estudando essas tecnologias. Nesta semana houve um seminário internacional, no qual a Petrobras atuou em parceria com o Conselho Mundial de Energia sobre este assunto. A companhia recebeu, também, um prêmio, em 2010, o Carbon Leadership Award, da New Economy, por melhor relatório de emissões.
Depois da entrevista com o presidente José Sergio Gabrielli de Azevedo sobre o Plano de Negócios da Petrobras para o período 2011-2015, é a vez do diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, responder aos leitores do blog.
A partir desta segunda-feira (15/08) e até a próxima quinta (18/08) às 23h59, o Fatos e Dados irá receber perguntas pela seção de comentários deste post, exclusivamente sobre o assunto Plano de Negócios. Participe!
O presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli de Azevedo concedeu entrevista ao site da revista Época. Entre outros assuntos, Gabrielli analisou a crise econômica na Europa e nos Estados Unidos, as oportunidades para o Brasil e para a Petrobras, o preço da gasolina e a gestão da Companhia diante de seus diversos públicos de interesse. Leia a transcrição da entrevista:
Repórter: Como a crise internacional afeta o petróleo?
Gabrielli: É uma resposta muito difícil porque há algumas características dessa crise agora que são ainda muito incertas. O primeiro elemento é que a crise na Europa é mais grave do que nos Estados Unidos. Qual é o problema central na crise europeia? A capacidade da política fiscal de cada país para enfrentar o déficit e a dívida pública está no limite como instrumento efetivo de ação dos governos. Os governos europeus já tinham abandonado o uso da política monetária nacional, uma vez que têm moeda única e, portanto, a lógica da política monetária europeia é uma lógica de concertação entre países. Quando os países estão em estágios distintos de crise – a situação da Alemanha, por exemplo, é completamente distinta da situação da Grécia –, isto faz com que a disputa sobre o melhor caminho faça com que as respostas monetárias sejam mais lentas. À medida que a resposta de política monetária é mais lenta, você tem um fenômeno de credibilidade na capacidade de os Estados cumprirem suas obrigações.
Repórter: O senhor acha que a crise da Europa é uma crise de credibilidade?
Gabrielli: Eu acho que sim. Na medida em que esses países mantêm taxas de juros baixas porque não podem aumentar os juros para não provocar uma recessão ainda mais profunda. Isso faz com que os capitais excedentes, entre os agentes que tem excedentes de recursos monetários e financeiros, busquem aplicações que têm mais retorno e um mínimo de segurança. Essa seletividade busca aplicações mais seguras, como o ouro.
Repórter: Você acha que nessa busca pela qualidade, no momento de crise, as commodities podem ser beneficiadas? O petróleo especificamente?
Gabrielli: Acho difícil falar em commodities em geral, mas o petróleo em particular, sim. Petróleo é uma quase moeda hoje. É uma commodity que tem um componente financeiro muito grande em seu preço.
Repórter: Para o bem e para o mal?
Gabrielli: Sim, para o bem e para o mal. Por outro lado, nos EUA a situação é diferente, mas há uma coisa comum com a Europa. O problema que levou à variação do rating (classificação de risco de crédito) dos EUA foi o risco político. É a dificuldade dos Democratas e Republicanos de encontrarem um caminho para resolver uma alternativa de médio prazo para enfrentar as questões do déficit público e da dívida pública americana, que está chegando a 85/90% do PIB. Evidente que a economia americana não é a economia europeia. A economia norte-americana tem um dinamismo e capacidade de resposta maior, portanto, ela pode surpreender. É muito difícil precisar uma resposta, com tantas incógnitas para se definir. O fato é que o Brasil está muito bem. O País tem uma economia que está crescendo fortemente, puxada pelo mercado interno. Hoje o Brasil não tem um problema de expectativa de crescimento, temos flexibilidade na política monetária, ou seja, temos uma taxa de juros muito alta que pode ser ajustada. Podemos ajustar também a política fiscal, seja por estímulos à demanda agregada ou pelo aumento de impostos em determinados setores. Temos muito mais instrumentos hoje do que os Estados Unidos e a Europa e o mercado está vendo isso. Por isso, o Brasil está com o real tão apreciado. O país cresce, o mercado de trabalho está aquecido. Portanto, é outro quadro. Nós somos um alvo potencial de quem busca aplicações neste momento.
Repórter: Para a Petrobras, então, a crise não é um problema?
Gabrielli: Provavelmente, a Petrobras não passará imune, dependendo da profundidade da crise. Mas pode ser até uma coisa positiva. Qual é a dificuldade que nós vamos ter? Provavelmente na captação de recursos. A Petrobras prevê captar entre US$ 67 bilhões e US$ 91 bilhões. Se o preço do petróleo ficar em torno de US$ 80, vai ser US$ 91 bilhões. Se ficar em US$ 95, vai ser US$ 67 bilhões.
Repórter: Essa captação será feita por meio de quais instrumentos?
Gabrielli: São vários instrumentos: emissão de bonds no mercado, principalmente lá fora. A Petrobras vai fazer captação com agências de promoção de exportação; captações com bancos de desenvolvimento; captações com bancos comerciais. O que a Companhia não vai fazer é emissão de ações. Isso está fora do Plano em decisão tomada pelo Conselho de Administração da Petrobras. A Petrobras vai vender ativos.
Repórter: A questão de emissões de ações foi discutida?
Gabrielli: Claro.
Repórter: Em virtude do cenário internacional?
Gabrielli: Não. Em razão da capitalização feita pela Petrobras no ano passado. A Companhia fez a maior capitalização da história no mundo. Ao fazer essa capitalização, a Petrobras colocou um volume enorme de ações novas no mercado que precisam levar um tempo para serem absorvidas e estruturar o portfólio de todos os agentes que aplicaram. Dessa capitalização, a Petrobras tem, hoje, em caixa, US$ 26 bilhões. Portanto, não temos nenhum problema de urgência de captação. Temos um programa de desinvestimento de US$ 13,6 bilhões. A Petrobras vai gerar, das atividades regulares, após pagar dividendos, entre US$ 125 bilhões e US$ 148,9 bilhões, nas duas faixas de preço citadas.
Repórter: Esse valor é de faturamento?
Gabrielli: Faturamento. As vendas da Companhia, depois do pagamento de custos e depois do pagamento de dividendos.
Repórter: O plano de investir US$ 224 bilhões até 2015 não muda?
Gabrielli: Não tem mudanças.
Repórter: Na questão do desinvestimento, é desinvestimento e reestruturação? São US$13 bilhões?
Gabrielli: US$13,6.
Repórter: O que está dentro desses US$13,6?
Gabrielli: Existem três tipos de aplicações. Primeiro, uma tradicional que as empresas de petróleo fazem, que é a venda de participação em blocos exploratórios e blocos de exploração. Chama-se farm in e farm out. A Petrobras venderá participações em blocos de exploração para sócios que tenham interesse em ser parceiros da Companhia no risco exploratório.
Repórter: Já se sabem quais são os blocos?
Gabrielli: Não. A Petrobras tem vários blocos, mas, não os divulga no momento. Esse não é pré-sal. Será, principalmente, no exterior. A Petrobras está, hoje, em 27 Países.
Repórter: Não teria venda de participação em blocos no Brasil?
Gabrielli: Também, no Brasil mas, principalmente, fora. Não posso entrar em detalhes. O segundo tipo de ativos são as ações que a Petrobras possui. A Companhia tem ações de diversas empresas, em várias áreas.
Repórter: Você fala de empresas e grupo conglomerado?
Gabrielli: Não. A Petrobras participa várias empresas, elétricas, de gás…
Repórter: São quantas empresas?
Gabrielli: O sistema Petrobras tem, hoje, 289 empresas diretamente controladas, coligadas e subsidiárias. O terceiro é a reestruturação do portfólio financeiro da Petrobras. Basicamente são dois tipos de coisa: a substituição de garantia financeira, monetária, por garantia bancária ou de seguro. Com isso, libera-se recursos de caixa, para utilizar no investimento e, uma redução de pagamentos feitos para os fornecedores, antes da conclusão do trabalho.
Repórter: Uma revisão de contrato?
Gabrielli: Não. A Petrobras tem um navio que vai levar 5 anos. A medida em que o navio vai completando uma parcela, a companhia vai pagando. O que a Petrobras faz, agora: ela montou, com bancos brasileiros: Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco, HSBC e o Santander, um programa chamado Progredir. Esse programa busca estimular que os fornecedores da Petrobras vão a esses bancos e tomem os recursos emprestados para usar durante a fase de produção deles. Na medida em que eles completam, ao em vez da Petrobras pagar ao primeiro fornecedor, a Companhia paga ao primeiro fornecedor uma parcela, ao fornecedor dele uma outra parcela, ao fornecedor do fornecedor uma outra parcela, até o quarto fornecedor. Com isso a Petrobras poderá atingir 255 mil empresas que sem contrato com a Petrobras, vão usar o contrato da Petrobras, para garantir ao banco que ele paga o recurso, portanto sua a taxa de juros cai.
Repórter: No final o interesse é para a Petrobras reduzir os seus custos?
Gabrielli: Claro, mas não imediatamente. É uma cadeia. Mas o ganho principal da Petrobras é que a Companhia não precisará pegar o seu recurso financeiro, durante esse período e mobilizar, porque isso será bancado pelos bancos. Eles entram com o dinheiro. A Petrobras entra com a garantia de entrar com o próprio dinheiro. Já existem hoje operações 40% mais baratas para O fornecedor. Estes 40% dizem respeito ao gasto financeiro do fornecedor. Isso envolve os seis principais bancos comerciais do Brasil.
Repórter: Dentro dos investimentos, haverá venda de participação na área de gás?
Gabrielli: Também, mas não vou dizer quais. A Petrobras tem dois anos e meio para lançar esse programa.
Repórter: Como fica o preço da gasolina?
Gabrielli: O preço da gasolina no Brasil não pode ser desconectado do preço da gasolina e do petróleo no mercado internacional. Por uma razão muito simples: o mercado brasileiro é aberto. O mercado brasileiro tem mais de 250 distribuidoras. A Petrobras tem 38% do mercado de distribuição; 62% estão com outras distribuidoras. Essas distribuidoras não têm nenhuma obrigação de comprar produtos da Petrobras. A Petrobras tem 100% do refino. Se a Petrobras mantiver os preços da gasolina e do diesel acima dos preços do mercado internacional por muito tempo e a perspectiva dos preços no mercado internacional for de estabilidade, o que vai acontecer com a distribuidora? Ela vai comprar fora e vai trazer para cá. Foi o que aconteceu em 2010, quando houve importações grandes.
Repórter: Direto pelas distribuidoras?
Gabrielli: Sim, principalmente, no Norte e Nordeste, onde a Petrobras não tem refinaria. Dezenove por cento (19%) do mercado está lá.
Repórter: Importou principalmente de onde?
Gabrielli: O mundo todo tem produto. E se mantivermos abaixo do preço internacional por muito tempo e o preço no exterior apontar para uma certa estabilidade, a distribuidora vai comprar da Petrobras e vai exportar. Então, no longo prazo, por razões econômicas, você tende a ter uma convergência. Qual é o momento de fazer o ajuste, que é a pergunta que todo mundo faz? Depende da volatilidade esperada da taxa de câmbio, depende da volatilidade esperada da variação do preço do petróleo. Esse conjunto de coisas tem que ser observado todo dia. A gasolina sai da refinaria da Petrobras, desde maio de 2009, a R$1,05 por litro. Quando chega na bomba, tem impostos e a margem do distribuidor e a margem do posto, que não é da Petrobras.
Repórter: Analistas do mercado financeiro afirmam que a manutenção artificial do preço da gasolina afeta os papéis da Petrobras o que é ruim para o mercado.
Gabrielli: Evidentemente, o mercado reage sempre do lado mais sensível para ele. No momento em que o preço está acima do preço internacional, ele não reclama, é óbvio. Ele reclama quando está abaixo do preço internacional.
Repórter: Quando ficou acima?
Gabrielli: Durante todo o ano de 2009 e início de 2010, ficou acima. Hoje está abaixo, mas o preço internacional está muito volátil. A taxa de cambio sofreu uma variação enorme. As pessoas são muito sensíveis ao preço da gasolina. O mundo político gosta muito do preço da gasolina, a imprensa gosta muito do preço da gasolina.
Repórter: O senhor vê uma certa exploração as vezes…
Gabrielli: Claro, tanto por parte do governo quanto da oposição. Os dois lados falam do preço da gasolina.
Repórter: O governo também?
Gabrielli: Claro, o governo diz que não vai mudar, que vai segurar, diz que vai segurar porque é importante segurar, senão o pessoal sente no bolso.
Repórter: O Brasil passou do 18º para o 13º no ranking de produção de petróleo. Com o pré-sal o País pode chegar em qual posição?
Gabrielli: É difícil dizer. Os novos barris de petróleo que serão adicionados à produção mundial são oriundos de duas fontes: de uma melhoria da recuperação, dos poços existentes e de novas descobertas. A maior parte dos novos barris vem da recuperação de poços existentes.
Repórter: Como funciona isso?
Gabrielli: Muda tecnologia, perfura novos poços em áreas já descobertas. 1/3 do novo petróleo vem de descobertas. Nas descobertas, o Brasil é o maior contribuinte para o futuro. Entre as empresas, no que se refere ao futuro, é muito claro que a nova fronteira de exploração de petróleo no mundo é em águas profundas. Nas águas profundas, a Petrobras é, disparadamente, a maior do mundo. Três vezes maior que a segunda. Somadas a segunda, terceira e a quarta, juntas, são menores que a Petrobras, em termos de número de plataformas de produção hoje existentes. Portanto, a Petrobras será muito importante na adição de novos barris de petróleo para o futuro. A duplicação das reservas da Petrobras é uma coisa que já está consolidada, praticamente.
Repórter: Que ano?
Gabrielli: Até 2020. A Petrobras também vai triplicar a produção no Brasil.
Repórter: Tem como fazer uma estimativa hoje?
Gabrielli: Não. Depende do que os outros vão crescer. A Petrobras será a que mais vai crescer. Nos últimos 30 anos, a Petrobras cresceu, em média, 10% ao ano. A média dos outros é muito menor. A Petrobras cresceu porque descobriu novas reservas. A Companhia saiu da terra, foi para águas rasas, das águas rasas, foi para águas profundas e agora, a Petrobras descobriu o pré-sal. A Petrobras pretende crescer 9% por ano, até 2020.
Repórter: Isso ajuda a fortalecer a posição geopolítica brasileira?
Gabrielli: Fortalecer não sei dizer. Entretanto muda a posição geopolítica sim. O país será uma fonte extremamente importante de fornecimento de petróleo para o mundo. Atualmente exportamos em torno de 586 mil barris por dia. A produção total é dois milhões. Em 2020 a Petrobras irá exportar 2,3 milhões de barris.
Repórter: A Petrobras chegará a exportar mais do que consome?
Gabrielli: A Companhia já exporta porque a produção é maior do que consumo.
Repórter: Qual o consumo interno do País.
Gabrielli: 2,2 milhões de barris por dia.
Repórter: Exporta 580. Vai chegar ao ponto nominal de o País exportar mais do que consome?
Gabrielli: Não. Em 2020 a Petrobras vai exportar 2,3 milhões de barris e seu consumo será 3 milhões de barris.
Repórter: Seremos um dos principais exportadores?
Gabrielli: Não sei dizer. O que é importante dizer é que o mercado brasileiro consome hoje 2,2 milhões de barris por dia. O Brasil está no segundo grupo de países consumidores de petróleo no mundo. Só existem quatro que consomem mais de 3 milhões de barris/dia: EUA, Japão, Índia e China.
Repórter: Não dá para ter uma estimativa?
Gabrielli: O que é relevante é que enquanto na Europa, Japão e EUA cai a demanda de petróleo por per capta, o Brasil, a China, a Índia a África, América do Sul e os antigos Países da URSS cresce. Essa é a grande mudança significativa no mercado de petróleo do mundo. O consumo per capita de produtos derivados de petróleo, dos países emergentes está em crescimento.
Repórter: Esse declínio é estagnação econômica ou é fonte alternativa?
Gabrielli: É o declínio da estagnação econômica. A distribuição de renda atingiu um patamar bastante alto. A saída da pobreza é intensiva em energia. Existe um processo de substituição mais acelerado de intensificação da eficiência energética mais acelerada.
Repórter: O que a Petrobras pode fazer para ajudar no País no momento de crise?
Gabrielli: A Petrobras, hoje, é a empresa que mais cresce no Brasil, que mais compra, anunciou o maior plano de investimentos do mundo, é a segunda exportadora do Brasil é, talvez, a maior pagadora de impostos do Brasil. No programa da Petrobras tem uma cadeia de fornecedores que envolve 1 milhão de postos de trabalho. A Companhia está fazendo um enorme investimento na montagem de uma rede nacional de pesquisa de desenvolvimento nas universidades brasileiras. A Petrobras é a maior treinadora de mão de obra do País, junto com o Prominp, Programa de Formação de Mão de Obra para Indústria do Petróleo, treinando 280 mil profissionais para a cadeia de fornecedores de petróleo e gás. A Petrobras é a maior financiadora da cultura brasileira e dos programas sociais do Brasil. A Companhia tem o maior programa de apoio a programas ambientais do País.
Repórter: Existe intervenção do governo na gestão da Petrobras?
Gabrielli: O Conselho de Administração da Petrobras, que é um conselho ativo e que se reúne mensalmente, define os pontos estratégicos e as decisões-chave da empresa. E o governo tem a maioria no conselho. Então é óbvio que tem influência, como os acionistas controladores de todas as empresas fazem.
Repórter: No aspecto político existe isso?
Gabrielli: O que há é um alinhamento de longo prazo dos interesses dos acionistas não controladores com o governo. O governo quer que a Petrobras cresça, que a Petrobras gere lucro, que a Petrobras permita que o mercado seja estável, que a Petrobras tenha fluxo de caixa mais estável, que pague bons dividendos. Agora, é claro que o governo não quer que a Petrobras perturbe o mercado, que a Petrobras não crie problemas. Por isso é que temos de ser um pouco esquizofrênicos, temos de combinar ambos os interesses e andar numa linha fina de ajuste de uma empresa que tem múltiplos interesses. A Petrobras é uma empresa com uma enorme relação com a sociedade brasileira. A Companhia tem uma força de trabalho forte, poderosa, eficiente, competente e com um movimento sindical forte. A Petrobras tem que atender as autoridades políticas do País porque a Companhia tem atividades em três mil municípios do País. A Petrobras é a principal arrecadadora de impostos de todos os estados brasileiros. A Petrobras tem uma relação direta com a máquina pública. A Petrobras tem que atender aos acionistas. A Petrobras tem milhares de fornecedores. A Petrobras tem clientes da Companhia e da Petrobras distribuidora, que tem 7000 postos de distribuição de gasolina, diesel e derivados, que tem relação direta com os consumidores. A Petrobras tem uma demanda direta com o mundo artístico, esportivo, das ONGs. A Petrobras tem que se equilibrar entre todos esses interesses.
Repórter: O país vive uma série de escândalos relacionados ao loteamento político de cargos. Há loteamento de cargos na Petrobras?
Gabrielli: A diretoria da Petrobras é, basicamente, a mesma há oito anos. Da diretoria da Petrobras, o único terceirizado é o presidente. Agora, dizer que não tem influência política… Você acha que a Exxon atua de forma diferente do governo americano? Que a BP atua de forma diferenciada do que o governo inglês quer? Que a Total atua de forma diferente do que o governo francês quer? Nos Estados Unidos, as empresas não negociam com o governo, mas não destoam nas grandes questões políticas. Mas é claro que, no dia a dia, sim, como também a Petrobras.
Repórter: A Petrobras destoa do governo? Em que assuntos?
Gabrielli: Em alguns detalhes, sim. Nós temos, por obrigação fiduciária viabilizar coisas que não dão prejuízo, por exemplo. Como gestores, nós respondemos como pessoas físicas. Não podemos fazer nada que dê prejuízo à companhia.
Repórter: Já houve algum pedido que a Companhia entendeu que teria prejuízo?
Gabrielli: Às vezes, você tem projetos que não são viáveis economicamente, mas há a pressão da opinião pública, da sociedade à qual você tem de resistir.
Repórter: Pressão do governo também?
Gabrielli: Também, mas eu diria que não é o dominante. Nós temos em nosso portfólio mais de 3 mil projetos, sendo 688 com mais de US$ 25 milhões. E são projetos que adicionam valor. Em oito anos, a Petrobras saiu de US$ 14 bilhões de valor de mercado para US$ 258 bilhões hoje. Você não adiciona valor se tiver projeto dominante sem rentabilidade. Então, você tem de ter uma gestão que leve em conta esse conjunto de interesses que eu mencionei. Nós somos uma empresa que tem múltiplos grupos de interesse. E você tem de atender uma posição que represente a maioria desses grupos, que às vezes são contraditórios, são conflitantes.
Repórter: Você já teve que dizer não para algum tipo de projeto?
Gabrielli: Já. Cito o exemplo do projeto da siderúrgica do Ceará, por exemplo. A solução que o Ceará encontrou é melhor do que a anterior, que é uma siderúrgica mais adequada para a disponibilidade de recursos que o Ceará tem.
Repórter: E pedidos da base aliada do governo?
Gabrielli: Isso não tem, não existe. A coisa do varejo é irrelevante. A Petrobras passou por uma CPI ano passado que chegou a suas conclusões.
Repórter: Como é sua relação com a presidente Dilma?
Gabrielli: É uma relação de trabalho excelente nos últimos oito anos e meio, porque começamos a trabalhar ainda na transição. Como numa relação de duas pessoas que se respeitam, duas pessoas que têm posições firmes, são relações que em certos momentos são mais amorosas e em outros momentos mais odiosas, o que é absolutamente normal. No dominante, é uma relação extremamente positiva: eu tenho muito respeito à presidenta Dilma e acredito que ela também tenha respeito a mim. Neste momento eu tenho de obedecer à presidenta, ela é minha chefa. Neste momento, ela estará certa sempre. Ela foi presidente do Conselho por sete anos.
Repórter: Ela já gritou com o senhor?
Gabrielli: Ela gritou, mas não é verdade que eu chorei, muito menos no banheiro, como andaram publicando. Mas que ela já gritou comigo, já. E eu já gritei com ela também. Hoje eu não posso gritar porque ela é minha chefa.
Repórter: É mais fácil administrar a Petrobras no governo Dilma ou no governo Lula? Existe essa diferença?
Gabrielli: Não tem muita diferença. O Conselho é praticamente o mesmo. O que mudou foi a saída da presidenta Dilma, entrou o Guido Mantega como presidente e agora o Palocci que ficou uma reunião e entrou a Miriam Belchior.
Repórter: A Petrobras é melhor administrada no governo PT do que foi no governo Fernando Henrique?
Gabrielli: Não diria que é melhor administrada porque não posso falar de mim. Nos últimos oito anos a Companhia deu um salto de qualidade em algumas direções importantes: primeiro, a Companhia fortaleceu o sistema Petrobras, diminuindo a fragmentação do período anterior. Segundo, a Petrobras foi muito mais ativa na atividade de exploração e produção, particularmente, na atividade exploratória, aumentando o portfólio exploratório. Terceiro, a Companhia voltou, firmemente, a investir no crescimento da capacidade refino, quarto, a Petrobras diversificou as atividades na área de gás e energia, quanto na área de biocombustíveis. Quinto, a Companhia consolidou uma política de relação com a sociedade, valorizando os processos mais transparentes e mais competitivos do acesso aos recursos para o apoio a cultura, aos recursos para projetos sociais, esportes e as questões ambientais. Sexto, a Petrobras redefiniu o seu modelo de negócios, de tal maneira que a Companhia enfatizou a organização em unidades operacionais, voltadas para a produção, separou, novos projetos de operações com a produção corrente, com isso, deu um foco grande aos investimentos e ela aumentou, substancialmente, o volume de investimentos, com a perspectiva de crescer. A Petrobras saiu de um investimento médio anual de US$ 5 bilhões, em 2003, para investir, em 2010, US$43 bilhões. Hoje, 52% da força de trabalho da Petrobras tem menos de dez anos na Companhia, 46% com mais de vinte anos e 3% entre dez e vinte anos.
Repórter: E seus planos políticos?
Gabrielli: Pode escrever aí de forma peremptória: não serei candidato em 2012. Não há a menor possibilidade de José Gabrielli ser candidato em 2012.
Repórter: Fica na Petrobras?
Gabrielli: Não sei. Eu posso ser demitido a qualquer momento.
Assista à entrevista com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, criada a partir de perguntas dos leitores do blog Fatos e Dados. Em cada bloco, Gabrielli fala sobre diferentes temas do Plano de Negócios para o período 2011-2015, como estratégias para retenção de talentos na Companhia, biocombustíveis, desinvestimento e exploração do pré-sal, entre outros tópicos.
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, detalhou na tarde desta terça-feira (09/08) os investimentos de US$ 13,2 bilhões previstos para o período entre 2011 e 2015 na área de Gás e Energia. Destes, especificou, US$ 12,9 bilhões serão investidos no Brasil. Graça ressaltou que a sua área tem como objetivo para o período obter o “resultado econômico máximo com o mínimo de investimento possível”. O Plano de Negócios da Petrobras prevê, ao todo, US$ 224,7 bilhões de investimentos entre este ano e 2015.
Graça lembrou que a Companhia já fechou o ciclo da malha de transporte de gás natural, que consumiu recursos de US$ 15 bilhões. A maior parcela dos recursos (US$ 5,9 bilhões) será destinada à conversão de gás natural em ureia, amônia, metanol e outros produtos usados para produção de fertilizantes. Outra grande parte do orçamento (US$ 3,4 bilhões), revelou a diretora, será direcionada para novos pontos de entrega de gás natural e gestão junto às distribuidoras, com objetivo de aumentar as vendas.
“Existem 27 companhias distribuidoras (estaduais) de gás no Brasil e a Petrobras têm participação em 21 delas”, enumerou Graça. Além disso, US$ 2,8 bilhões serão investidos na geração de energia termelétrica e US$ 800 milhões serão destinados à cadeia de Gás Natural Liquefeito (GNL) – regaseificação e liquefação – para escoamento do gás do pré-sal e atendimento do mercado termelétrico. “Temos tido, no pré-sal, resultados cada vez melhores”, comemorou Graça, ressaltando a correlação da sua área com a área de Exploração e Produção, que fornece o gás.
Em 2015, está previsto o fornecimento, por parte da área de Exploração e Produção, de 78 milhões de m³ por dia. Esse volume, em função do crescimento da produção de óleo e gás previsto pela Companhia, subirá para 102 milhões m³ por dia em 2020. Esse montante representa grande parte da oferta de gás natural no País. A diretora também falou da oferta e demanda totais por gás natural atualmente. “Prevemos ter 10 milhões de metros cúbicos por dia de oferta acima da demanda em 2011”. A demanda este ano está prevista para alcançar 96 milhões de metros cúbicos por dia.
Por fim, a diretora listou os principais projetos da carteira de G&E. Entre eles estão o Terminal de Regaseificação da Bahia, com capacidade de 14 milhões de metros cúbicos por dia, previsto para entrar em operação em janeiro de 2014; a Usina Termelétrica Baixada Fluminense, com capacidade de geração de 512 MW, prevista para entrar em operação em março de 2014; a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), que produzirá 1,2 milhão de toneladas por ano de ureia, além de 81 mil toneladas por ano de amônia, e entrará em operação em setembro de 2014; o Complexo Gasquímico (UFN IV), que produzirá ureia, melamina, ácido acético, ácido fórmico e metanol e entrará em operação em junho de 2017, a Planta de Amônia (UFN V), cuja operação está prevista para ser iniciada em setembro de 2015.
Os investimentos na área de fertilizantes permitirão ao País alcançar a autossuficência em amônia em 2015 (hoje o Brasil importa 53% do que consome), reduzir a 28% a dependência da ureia importada também em 2015 (atualmente 53% do que é consumido é importado) e a 20%, em 2017, a importação do metanol – hoje 68% do que é consumido no País vem de fora.