Entrevista – presidente Gabrielli ao Estado de S. Paulo

Entrevista: José Sergio Gabrielli

Data: 14/10/09

Repórter: São Paulo nunca teve um papel dominante na produção e exploração. É um grande mercado, tem refinaria, com o pré-sal vai passar a ser um player na produção e exploração. O que os paulistas podem esperar da nova relação da Petrobras com São Paulo? De investimento, contratação, equipamentos, sede, vai ter só a de Santos ou vai ter uma sede nova em Caraguatatuba e outra em Santos?

Gabrielli: Com certeza a relação São Paulo- Petrobras vai ter que se alterar. A Bacia de Santos é sem dúvida nenhuma, uma Bacia extremamente prolífica, ela é diversificada, tem situação de pré-sal e de pós-sal, tem possibilidades de água rasa e de água profunda, tem gás, tem CO2 , é uma Bacia muito rica. A maior parte dela está em São Paulo, portanto ela tem um impacto muito grande. A infraestrutura, o número de empregados da Petrobras, vai crescer. Não vou dizer a você o quanto, porque eu não sei esses números aqui agora, mas com certeza o número de empregados da Petrobras vai crescer. A relação operacional com São Paulo vai crescer, nós estamos fazendo uma gigantesca unidade de tratamento de gás em Caraguatatuba, tem um complexo de dutos que também vai passar por lá, chegando até Taubaté que é um complexo extremamente sofisticado, vai subir a serra, vai ter um controle de gás, é algo extremamente sofisticado tecnologicamente. Estão sendo adotadas as melhores técnicas, nós estamos com uma máquina gigantesca que vai perfurar a rocha automaticamente, que é como se faz túnel de metrô, tem contenção de áreas para fazer estradas para diminuir a remoção de vegetações, então realmente é uma obra extremamente especial. Com o aumento da produção, isso vai impactar evidentemente não somente a receita, mas a atividade econômica de São Paulo também vai crescer, com royalties e participações especiais, que hoje são muito pequenas para São Paulo, e que vão afetar, portanto, a arrecadação do governo de São Paulo. São Paulo já é um estado bastante industrializado, ele é um dos grandes fornecedores da Petrobras hoje, não apenas na indústria naval, na mecânica, na elétrica, na eletrônica, tem todo tipo de indústria, o que faz de São Paulo uma área importante da produção industrial brasileira. Principalmente nos fornecedores dos fornecedores. Então, provavelmente, como nossos investimentos em geral, não só na Bacia de Santos mas em todas as refinarias, no gasoduto que vamos fazer, na área de biocombustível que nós vamos crescer, tudo isso demanda produto industrial. E São Paulo, como centro produtor industrial brasileiro, tudo acaba sempre repercutindo positivamente sobre São Paulo. Então, do ponto de vista da atividade de exploração e produção, isso vai estar mais presente em São Paulo. Em termos de refino, de ICMS, os impactos são dependentes do tamanho do mercado de São Paulo. É claro que todo imposto sobre formação de capital, sobre investimentos, vai acabar repercutindo também sobre São Paulo. Então, vai ter aumento de arrecadação, aumento de emprego, aumento da renda gerada, da circulação monetária e das atividades relativas a petróleo e gás em São Paulo.

Repórter: Vocês planejam alguma sede nova, em Santos ou São Paulo ?

 Gabrielli: Não. Nós já estamos com a nossa sede em Santos, em São Paulo e tem quatro refinarias em São Paulo.

Repórter: Hoje o Rio está comandando a produção, e depois vem o Espírito Santo. São Paulo pode passar o Espírito Santo?

Gabrielli: Pode. Eu acho que depende do horizonte de tempo. Até 2012, 2013 não, mas até 2020, São Paulo vai ter uma grande produção que pode superar o Espírito Santo.

 Repórter: O senhor tem conversado com o governo do estado sobre obras?

 Gabrielli: Nós temos uma grande obra em São Paulo hoje, que chama-se Plano Diretor de Dutos, que passa em 27 municípios do Estado de São Paulo, que é a substituição de dutos já existentes nessas cidades, estamos retirando de áreas urbanas para deslocá-las para áreas menos habitadas ou desabitadas. Isso não tem nada a ver com pré-sal. São atividades que estamos fazendo um investimento bastante grande para essas áreas de dutos. Mas temos várias conversas.

 Repórter: E para 2020, pode passar o Espírito Santo?

 Gabrielli: A produção dos campos de São Paulo vai crescer. Então, depende da velocidade da produção.

 Repórter: Vocês estão fazendo agora a prospecção, junto com a ANP, para descobrir de onde vão sair os cinco bilhões de barris da capitalização. Quem está fazendo isso, são vocês ou a ANP, com equipamento cedido pela Petrobras?

 Gabrielli: Evidentemente, quem está contratando é a ANP. É a responsabilidade dela. Nós estamos fazendo a parte operacional, porque nós sabemos, e quem está fazendo é a equipe da sonda, que é contratada – não é nossa -, é contratada por nós. Quem paga somos nós. Mas não tem nenhum ganho nessa história. O problema é quem decide, onde é, como é que faz a técnica.

 Repórter: São vocês, claro. Você tem ideia do custo, de quanto vai custar até encontrar?

 Gabrielli: Não tenho a menor ideia de quanto vai ser. Não sei.

 Repórter: E quem vai pagar esse custo?

 Gabrielli: A ANP.

 Repórter: A ANP? Então, a operação não é privada? Uma operação de uma empresa, de capital aberto, que vai se capitalizar, a ANP é um órgão público.

 Gabrielli: Não, a ANP está fazendo uma contratação direta. Quem pode oferecer uma sonda agora para a ANP, no prazo que ela quer?

 Repórter: Então são recursos orçamentários, não são?

 Gabrielli: Eu acredito que a ANP deve estar com recursos de fundo, de receita da ANP. A fonte da ANP eu não sei. Não posso falar a fonte da ANP.

 Repórter: É uma prospecção de um lote que vai ser entregue a vocês diretamente.

 Gabrielli: Não vai ser entregue para nós. A União vai decidir se entrega ou não, se o Congresso aprovar.

 Repórter: Então vocês não iriam reembolsar a ANP por isso, por esses estudos?

 Gabrielli: Pelo processo atual, a União precisa saber as áreas que têm isso. Porque, se não, não tem como ofertar. Então, a União precisa saber. Como é que a União vai saber isso?

 Repórter: A ANP faz isso sempre que tem leilão.

 Gabrielli: Não faz isso. É a primeira vez que ela está fazendo.

 Repórter: Pegar de vocês o material que vocês tinham.

 Gabrielli: Não, ela não faz isso. Ela faz em proporções genéricas, faz sísmica, não faz perfuração. Tenho a impressão que, pela primeira vez na história da ANP, que ela vai perfurar poço. Ela faz só estudo de sísmica.

 Repórter: Então, não é então uma incoerência a ANP fazer uma prospecção com dinheiro publico para uma operação da Petrobras?

 Gabrielli: Não é uma operação da Petrobras ainda. A Petrobras vai retornar porque vai estar no preço.

 Repórter: Então vai pagar à ANP? Entendi.

 Gabrielli: Claro. Depois, quando comprar, vai estar no preço.

 Repórter: Vai pagar esse trabalho de pesquisa?

 Gabrielli: Vai estar incluído no preço do barril. Primeiro a ANP indica possíveis áreas para a produção do petróleo e, para saber sobre essas áreas, a ANP precisa perfurar. O segundo passo é: a União decide se essas áreas serão objeto ou não, ou seja, é sequencial. Com base nisso, haverá uma negociação entre a Petrobras e a União. São etapas.

Repórter: A minha dúvida é: os gastos com a prospecção disso serão reembolsados para a ANP?

Gabrielli: Não é que será reembolsado diretamente, mas estará incluído no custo do petróleo. Se não tiver operação, terá que ser feito o pagamento pela atividade da sonda.

Repórter: E qual a contextualização dos leilões?

Gabrielli: O leilão é diferente, porque não se perfura para o leilão. O leilão é só sísmica.

Repórter: Outra pergunta sobre a operação única da Petrobras. Já ouvi que no Norte a “Picanha Azul” é menos atrativa. Para a Petrobras não funciona assim? Todas as áreas são atrativas? Ou seja, sempre será de interesse da Petrobras ser operador único? A Petrobras não avaliará a possibilidade de passar em adiante para outra empresa? A Comissão impôs ser um operador único ou pode se tornar um problema para a Petrobras a operação única?

Gabrielli: Olhe bem essa área, onde temos duas concentrações. A Bacia de Santos, a qual não tem infraestrutura nenhuma, encontra-se totalmente virgem. Aqui tem Mexilhão, fora desta área e o resto é tudo virgem. Aqui é a Bacia de Campos, a qual tem infraestrutura total e é da Petrobras. Então, o que acontece? Nessa área não tem nada e vai ter que ser instalada essa infraestrutura. Agora, é melhor ter dois ou três operadores ou ter um operador único? É melhor ter um operador único, porque aqui (na Bacia de Campos) tem um operador que é a Petrobras, é melhor colocar outro ou ficar com aquele que já se tem?

Repórter: Mas já não tem outra empresa que opera outros blocos?

Gabrielli: De infraestrutura? Não, toda a infraestrutura é nossa.

Repórter: Então, a operação única do pré-sal é uma conquista para vocês?

Gabrielli: A operação única é uma vantagem principalmente de conhecimento, mais facilidade de correlacionar campos diferentes, aprende-se mais, evita-se erros.

Repórter: Foi uma demanda de vocês na comissão?

Gabrielli: Sempre demandamos.

Repórter: E sempre foi incluído isso na Comissão?

Gabrielli: Não vou entrar em detalhes do que aconteceu na Comissão. Por outro lado, as áreas marginais no Norte destas bacias e franjas. Duvido que sejam áreas atraentes para outro operador, porque dependerá da nossa infraestrutura. No caso, a empresa dependerá, por exemplo, de ter espaço no duto da Petrobras. Ou ter que ficar esperando um helicóptero ou navio de apoio ou um produto químico para a perfuração.

Repórter: Quando a Comissão foi anunciada, tinha um discurso agressivo porque a Petrobras não é totalmente estatal, ela tem ações na bolsa. Depois o contexto foi mudando, criou-se a Petrosal, empresa que se achava que não seria uma boa solução e traria problemas. Mas a Petrobras saiu completamente vitoriosa, ao menos aparentemente. Houve uma virada dentro da Comissão?

Gabrielli: Acho que isso foi o amadurecimento da Comissão, um ajuste da conjuntura.

Repórter: Havia hostilidade no começo?

Gabrielli: Não, porque todo mundo gosta da Petrobras.

Repórter: Havia uma intenção de não a deixar tão forte?

Gabrielli: O que aconteceu é que saíram várias matérias falando sobre isso, mas eu nunca acreditei que fosse de fato a realidade.

Repórter: O senhor teve que brigar?

Gabrielli: Sempre briguei, mas acho que a Comissão evoluiu com as condições adequadas e corretas e esses quatro projetos são o resultado dessas discussões na Comissão, foi um ganho para o país e os projetos são muitos bons para a conjuntura que temos atualmente e para a perspectiva de longo prazo que o país tem.

Repórter: Uma pergunta meio delicada a respeito do Governo Lula. Há uma estratégia de fortalecimento da empresa, o discurso da campanha do próximo ano será o nacionalista contra o governo privatista. Há como blindar uma tentativa de privatização ou politicamente não tem mais espaço para isso?

Gabrielli: Acho que todo projeto do pré-sal que esteja sendo discutido não é um projeto para um governo, porque todos os projetos são pensados para o ano 2020/2030, ou seja, são feitos para serem implantados em longo prazo. A estrutura que está sendo montada para a exploração com a partilha de produção não é de um só Governo, porque as licitações saem e até começar a produzir, passaram por dois ou três governos. O Fundo Social não é para um governo só. A equipe da Petrosal não estará disponível para um só governo, provavelmente será necessário cruzar vários governos para montar uma equipe. Vários governos se beneficiarão desse projeto e acaba se viabilizando e sustentando independentemente do governo e pode vir a ter variações de tom como aconteceu com a Lei Nº 9748, no ano de 1998 a 2002, quando a Petrobras ficou contida. De 2003 a 2009, a Petrobras se expandiu na mesma lei, refletindo a mudança de realidade, conjuntural. Então você vê a orientação da Companhia. Então, isso é possível. O marco regulatório não muda de um dia para o outro.

 Repórter: Se o governo conseguir fazer um leilão no sistema de partilha dentro desse governo, já ajuda a blindar? Porque vai ter um contrato já fechado ali. Como faz para mudar? De repente, não precisa nem mudar mesmo.

 Gabrielli: Evidentemente que, quanto mais rápido entra em ação o sistema regulatório, mais ele se consolida. Disso eu não tenho dúvida. Mas ele se ajusta também. Nenhum sistema de regulação – que, aliás, o Prêmio Nobel de Economia é exatamente mostrando isso – mostrando que o sistema de regulação se ajusta. Não são fixos, nem determinados, nem determinísticos.

 Repórter: Mas um leilão é uma meta?

 Gabrielli: Acho que tem que ser aprovada a lei, segundo tem que montar a arquitetura institucional abaixo da lei, tem várias coisas que não vão ser definidas em lei, como o funcionamento do CNPE, o funcionamento da ANP, da Petrosal, contratos entre Petrobras e a ANP, contratos entre a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia, tudo isso leva tempo e processos licitatórios.

 Repórter: O senhor leu a entrevista do Eike Batista ao Estadão domingo?

 Gabrielli: Infelizmente não li. Hoje estava em São Paulo e não consegui ver. Sobre a Vale e sobre Eike eu não vou comentar nada.

 Repórter: Vamos voltar para o pré-sal, então. Existe uma boa chance de ter petróleo e pré-sal na África também…

 Gabrielli: Tudo leva a crer que sim. Mas aí tem que fazer sísmica e perfurar.

 Repórter: há alguma coisa feita nesse sentido?

 Gabrielli: Não, o desconhecimento é muito grande. Estamos trabalhando ainda, mas estamos interessados. Estamos em Angola, na Namíbia. Estamos lá, mas isso leva tempo. Isso não é uma coisa que se faz de um dia para o outro.

 Repórter: Após o governo Lula, o senhor já tem planos?

 Gabrielli: Eu sou professor da Universidade Federal da Bahia em licença. Se o departamento me aceitar de volta, eu estarei de volta ao meu departamento.

 Repórter: Eleições no ano que vem?

 Gabrielli: Não serei candidato. Não tenho nenhuma pretensão de política eleitoral. Sou um ser político, acredito que a política é fundamental, é um estágio superior da civilidade e da civilização. Mas não necessariamente eleição. Não acho que meu perfil pessoal seja adequado para o processo eleitoral. Eu não pretendo ser candidato, não tenho nenhuma pretensão de ser candidato.

 Repórter: Mas a empresa que o senhor preside será no ano que vem vitrine do governo, provavelmente.

 Gabrielli: Se o presidente quiser me manter na empresa, eu ficarei na empresa e não serei candidato. Se não quiser, voltarei a ser professor.

 Repórter: Vocês não têm receio de tudo isso ser feito e, mais para frente, a Petrobras, com toda a operação, com tudo isso que ela tem hoje, ela poder ser privatizada? Vocês não pensaram em nenhum mecanismo para blindar isso?

 Gabrielli: Hoje a Petrobras não pode ser privatizada, pela lei. Tem que ter uma alteração da lei. Existem projetos de emendas constitucionais para incluir isto na Constituição. Há projetos de lei que querem 100% do monopólio para a Petrobras. Então, a sociedade tem gente que quer ainda mais do que o governo está propondo. Eu não acredito que haja clima político e econômico, hoje, para viabilizar a alguém propor a privatização.

 Repórter: E o caminho contrário? O governo tem alguma meta de participação?

 Gabrielli: Não tem uma meta. Depende essencialmente do imponderável, que é a disposição dos acionistas exercerem seus direitos de preferência.

 Repórter: Agora, fundos do FGTS. Os fundos têm limitações.

 Gabrielli: O FGTS é muito importante, porque tem muita gente, mas é 2% do capital da Petrobras.

 Repórter: Os fundos têm limitações, o senhor disse isso hoje.

 Gabrielli: É, os fundos têm limitações, mas nem todos os fundos são iguais. Há fundos que estão mais expostos.

 Repórter: Quanto o senhor pensa, na ponta da caneta, então, quanto que o pessoal vai aderir?

 Gabrielli: Não, ninguém tem isso na ponta da caneta. Pode-se fazer simulações, análises, mas ninguém tem como saber.

 Repórter: Mas algum aumento de capital vocês vão ter.

Gabrielli: Provavelmente. Depende muito de quanto vai ser o valor dos cinco bilhões de barris. Depende muito. Acho que esses gráficos que apresentei hoje (em audiência pública na Câmara dos Deputados) aqui sobre o comportamento das ações no mercado de Nova York, se você olhar, as ações da Petrobras no mercado de Nova York , observa-se que as ações da Petrobras na bolsa de Nova York, a partir do dia 31 de agosto de 2009, aumentaram em 15,8% quando foi lançado o marco regulatório. As empresas de petróleo negociadas em Nova York cresceram só 4,7% no mesmo período e o valor do petróleo caiu 1,6%. Então, o que explica essa variação? Só pode ser o marco regulatório, que foi bem recebido.

Repórter: Esse pessoal vai acompanhar (a capitalização) em massa, não é?

Gabrielli: Observa-se o volume de transações ocorridas na bolsa de valores; em 2003, transacionavam-se 183 milhões de reais em ações da Petrobras por dia e 35% desse valor era em Nova York. Em 2009, esse volume passou para dois bilhões e setecentos milhões, do qual 52% era arrecadado em Nova York. Veja o que aconteceu depois do marco regulatório, a Bovespa, subiu 8,9% e a Petrobras subiu 11,5%.

Repórter: O presidente Chávez nunca demonstrou interesse no pré-sal?

Gabrielli: O Presidente Chávez está interessado é na Refinaria Abreu e Lima.

Repórter: Mas também demorou muito a entrar…

Gabrielli: É um casamento longo.

Repórter: Como todo casamento é longo e cheio de problema. Mas nunca manifestou seu interesse em relação ao pré-sal?

Gabrielli: A Venezuela tem bastante petróleo, é um país muito rico nesse aspecto.

Repórter: Qual país está conversando mais com vocês? Os chineses?

Gabrielli: Todo mundo está conversando conosco. Todo mundo quer conversar com a Petrobras, todas as empresas de petróleo estão interessadas.

Repórter: Inclusive com o sistema de partilha e operação única?

Gabrielli: Não é nada excepcional, isso é algo comum na indústria, o que se deve saber antes é a regra e tendo essa regra definida se faz a conta para saber se é viável ou não.