Nova fase da indústria do gás no Brasil

A indústria nacional de gás natural passa por um momento virtuoso. A realização de investimentos que somam R$ 26 bilhões, entre 2003 e 2010, garante hoje uma crescente oferta de gás – resultado de intensas atividades exploratórias e da flexibilização do suprimento com a importação de GNL -, bem como um aumento expressivo na extensão da rede de gasodutos.

No período, a produção nacional que era de 22 milhões m³/dia, em 2003, alcançará 46 milhões m³/dia; e a rede de transporte dobra, chegando a 10 mil km também em 2010. Foram construídas ainda 14 novas estações de compressão e 30 pontos de entrega, que tornam, de fato, a malha flexível e apta a operar nos dois sentidos: “subindo” ou “descendo” gás. Além disso, para maior garantia no suprimento, o país dispõe hoje de dois terminais de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) com capacidade de 21 milhões m³/dia, volume adicional à produção nacional e a importação da Bolívia.

Resultado concreto do Plangás, iniciado em 2006, estas ações demonstram o total compromisso da Petrobras para atender aos acordos comerciais assumidos com os segmentos não-termelétrico – o industrial, sobretudo – e o termelétrico.

Foi justamente o compromisso com os seus clientes que norteou a Petrobras na renegociação dos contratos com as distribuidoras de gás, em 2007. Para cada acordo, a Petrobras considerou como premissa principal a disponibilidade de infraestrutura de transporte e de molécula de gás para, efetivamente, dispor ao mercado os novos volumes. advindos da produção nacional.

Isto significava a realização de importantes empreendimentos que hoje estão concluídos ou em fase final de obra. Um exemplo é o Gasene, que inicia operação comercial no primeiro trimestre deste ano. Com 1.300km de extensão, este é o gasoduto da integração entre as regiões Sudeste e Nordeste. Além da infraestrutura, a renegociação considerou os riscos de natureza política e econômica que contratos de 10 a 20 anos trazem para ambas as partes (carregador e distribuidor), e que normalmente resultam em maiores preços para os consumidores.

O fato é que hoje cerca de 93% do volume contratado com o segmento não-termelétrico, notadamente industrial, é de gás firme, ou seja, volumes em que há o compromisso de entrega de forma interruptível. Além do mais, a Petrobras considera em seu Plano de Negócios atual que o mercado industrial de gás firme deve crescer 8% ao ano até 2020, média superior ao próprio crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) projetado para o período.

Além da oferta crescente prevista, em 2009 a Petrobras iniciou novas modalidades de fornecimento de gás que permitem volumes adicionais a preços expressivamente menores. Por meio de leilões eletrônicos, onde os preços são formados pelas próprias distribuidoras, foram vendidos entre abril e setembro de 2009, um total de 4,7 milhões m³/dia de gás natural em contratos com prazo de um e dois meses.

Em setembro, iniciamos a implantação do mercado secundário, com a colocação à venda também por leilões de 22 milhões m³/dia. Este volume era destinado às termelétricas e não tinha previsão de ser utilizado até março deste ano. Em todos os leilões, o preço de venda foi, em média, 33% inferior ao praticado nos contratos vigentes. É importante ressaltar que esses volumes são de gás firme, com compromisso de entrega durante todo o período previamente estabelecido.

Típico de países em estágio de maturidade da indústria de gás natural, o mercado secundário atende às especificidades do setor elétrico nacional, cuja geração termelétrica é sazonal, e propicia ao segmento não-termelétrico a oportunidade de adquirir volumes de gás a preços inferiores por prazos determinados. É justamente esta flexibilidade na oferta e na demanda que traz benefícios para os consumidores, especialmente as indústrias que podem planejar suas atividades de acordo com a oferta de combustível a menor preço ou alternar o combustível sem prejuízo na sua produção.

A esta nova conjuntura aliam-se as recentes descobertas na camada de pré-sal. A partir de 2013 os primeiros volumes de gás serão ofertados ao mercado. Já estão em andamento projetos para erguer novos terminais de GNL e uma unidade de liquefação embarcada, uma das alternativas para escoar o gás do pré-sal, situado a 300 km da costa. Estes empreendimentos garantirão a oferta de novos volumes de gás para o Brasil, além do que é importado da Bolívia e de outros países.

São esses investimentos realizados nos últimos sete anos e os resultados concretos apresentados que evidenciam o comprometimento da Petrobras com a indústria nacional e com a sustentabilidade da sua atividade produtiva.

Ao contrário do que afirmou o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais (Abrace), Ricardo Lima, em artigo publicado no Jornal Estado de São Paulo em 20/01/10, a Petrobras em nenhum momento cogita eliminar o fornecimento de gás firme para as indústrias. As ações que vêm sendo feitas demonstram a nossa crença no aumento das vendas de gás natural para a indústria e nossa disposição em continuar mantendo com os clientes uma relação comercial baseada em princípios éticos, técnicos e econômicos. Aliás, são os clientes a nossa razão de ser.

Graça Silva Foster
Diretora de Gás e Energia da Petrobras